Jorge Jesus admitiu apenas duas ou três novidades na primeira convocatória como selecionador nacional, em setembro, em relação ao lote de 26 jogadores que estiveram no Mundial 2026.
“A próxima vai ser em setembro. O facto de termos ficado nos oitavos-de-final… ‘Ah, o novo selecionador vai chegar e mudar estes jogadores’. Não, não vai ser. Não sou burro. Ainda por cima não há tanto tempo assim para mudar vários jogadores. E também não há assim um leque tão grande de jogadores neste momento. Ao longo dos quatro anos vão aparecer jogadores novos, não tenho dúvida nenhuma. Mas de um mês para o outro não vai fugir muito daqueles que foram convocados. Dois ou três novos, algo assim do género. Mas não vai fugir muito disso”, afirmou na segunda-feira, 20 de julho, em entrevista ao Canal 11.
O novo selecionador diz que a seleção deve ter um “caráter vencedor”. “Para seres melhor do que os outros, não basta só ter jogadores tecnicamente evoluídos ou o treinador ser bom taticamente. Tens de ter caráter para que ela possa ser competitiva”, vincou.
Taticamente, reforçou a importância de ser “bom defensivamente”, sabendo “defender com poucos”, e assumiu que dificilmente não jogará com um médio mais posicional. “[O meio-campo de Portugal] Tem potencial para ser o melhor e tendência para ser um dos melhores. Dizer que o meio-campo é melhor porque a qualidade individual está lá… Depois temos de transportar isso para a prática, provar que somos os melhores. Mas do Mundial, direi que a Espanha foi perfeita. Na Seleção Nacional há muita qualidade e quantidade para esses setores. Se jogares com três médios, o leque abre; mas jogar com dois, um mais posicional, que nas minhas equipas é difícil não haver, e depois um segundo com caraterísticas mais ofensivas, o leque começa a reduzir para a quantidade e qualidade que tens de jogadores nessa posição”, analisou.
O treinador de 71 anos – comemora 72 na sexta-feira, dia 24 – assume que “os jogadores têm de ter estatutos diferentes”, mas frisa que todos se regem sob “regras iguais”, e revela que a sua “preocupação é tentar colocar a equipa a jogar ao nível que” acha “que os jogadores têm”.
Jesus voltou a salientar a necessidade de ter na equipa técnica um antigo jogador da seleção e explicou que se tem vindo a preparar para ser selecionador: “Acho que o selecionador, não trabalhando diariamente com os jogadores, tem sempre muito em que trabalhar com a sua equipa técnica… criando ideias. E é exatamente isso que tenho tentado fazer ao longo destes últimos dois anos, a partir do momento em que fui para a Arábia Saudita. Quando fui para lá, ia para treinar a seleção, não ia treinar o Al Hilal. E as coisas estavam quase definidas, mas depois o team manager do Al Hilal, que já tinha trabalhado comigo na minha primeira passagem, convidou-me. E eu fiquei um bocadinho a abanar… E a partir desse dia comecei a preparar-me. Depois tive a hipótese de treinar a seleção do Brasil e comecei a pensar que tinha mesmo de treinar uma seleção. E a Seleção portuguesa foi… a cereja em cima do bolo.”
JJ assumiu mesmo que chegou a ter “indicações para fazer a pré-convocatória para o jogo [da seleção brasileira] que havia em março, depois de terem perdido 4-1 com a Argentina”.
O treinador diz que ter trabalhado em clubes como Benfica, Sporting e Sp. Braga é a sua “grande vantagem” e explica como tem mudado ao longo dos anos: “Não sou o mesmo Jorge Jesus que era com 40 anos. Hoje sou muito mais tolerante e pensador em relação a determinados momentos que possam envolver treinador e jogador. É normal acontecer isso. Até colegas com colegas. Vocês às vezes ficam muito admirados, mas isso acontece muitas vezes.”







