Rolha de Ouro: uma garrafa, duas perspetivas e muitas histórias para contar

Há quem veja o vinho como uma bebida. Há quem o transforme num conjunto de regras,
descrições complicadas e palavras difíceis. Para nós, o vinho é sobretudo um ponto de
encontro, e é desse encontro que nasce esta coluna.

A nossa história começou muito antes de imaginarmos escrever sobre vinho. O primeiro
vinho que bebemos juntos foi um Poeira 44 Barricas, no nosso primeiro encontro. Nenhum
de nós era especialista, mas foi essa garrafa que nos mostrou uma coisa: gostávamos
tanto de conversar sobre vinho como de o beber.

Pouco depois, ao terceiro encontro, fomos à Festa das Vindimas em Bucelas. Uma bonita
festa da vila, com uma pequena prova de vinhos pelo meio, e foi entre copos, conversas e
gente apaixonada pelo que faz que percebemos que aquilo era muito mais do que um
acompanhamento para o jantar: era cultura, história e identidade. Foi ali que começou a
nascer o que hoje se chama Rolha de Ouro.

Quem somos

Sou o Carlos Mendes. Sempre gostei de vinho, sobretudo tinto. Foi a Priscila quem me
convenceu a olhar com outros olhos para os rosés e os espumantes, e ainda bem. Agora
ando a tentar apanhar os aromas e sabores que tantos provadores identificam com uma
facilidade suspeita. Uns dias encontro fruta, especiarias, notas minerais. Noutros continuo
só a achar que “sabe a vinho”. E acredito que muitos de vós se vão reconhecer nisto.

E eu sou a Priscila Silva. Conhecer o Carlos mudou a forma como olho para o vinho: hoje
vejo-o menos como bebida e mais como história engarrafada. Cada garrafa carrega o
trabalho de pessoas, a memória de um lugar, o clima de um ano e decisões tomadas
muito antes de chegar ao copo. Foi essa curiosidade que nos levou a visitar produtores, a
andar em provas e a conhecer de perto quem dedica a vida a isto.

Porque fazemos isto a dois

Porque olhamos para a mesma garrafa de formas diferentes. A Priscila puxa mais para a
elegância do Douro e do Dão. Eu sou mais democrático: provo praticamente tudo o que
aparece à mesa. Ela já andava por adegas, jantares vínicos e provas antes de nos
conhecermos; desde então temos percorrido Portugal, visitado produtores e descoberto
vinhos que dificilmente nos apareceriam à frente de outra forma.
Nem sempre chegamos às mesmas conclusões, e isso é uma vantagem. Uma garrafa
ganha muito quando há mais do que uma opinião sobre ela.

O que podem esperar

Numa semana vamos falar de temas do dia a dia: como ler um rótulo, que copo usar, a
que temperatura servir, o que fazer com a garrafa depois de aberta. Na semana seguinte,
levamos uma garrafa para a mesa e contamos com honestidade o que encontrámos nela.
Não somos donos da verdade: somos dois curiosos que continuam a aprender, a provar, a
fazer perguntas e, de vez em quando, a discordar. Sempre que apresentarmos factos,
vamos sustentá-los. Sempre que dermos uma opinião, é isso mesmo que ela é: nossa. O
que nos agrada pode não vos agradar, e está tudo bem.

E vocês?

Gostar de vinho não depende do preço da garrafa nem de conseguir identificar dez
aromas num copo. Depende da curiosidade e da companhia. Por isso, esta coluna
também quer ouvir quem está do outro lado: se há um vinho que sempre vos deixou com
dúvidas, uma região que gostavam de conhecer melhor ou um tema sobre o qual
gostavam de ler aqui, escrevam-nos.

Se conseguirmos que, todas as semanas, uma garrafa seja aberta com mais curiosidade
do que na semana anterior, esta coluna já cumpriu o seu propósito. Porque o melhor vinho
raramente é o mais caro ou o mais premiado: é aquele que dá uma boa conversa.
E é essa conversa que, a partir de hoje, começamos a escrever convosco.

Até à próxima semana e acompanhe-nos, diariamente, pelo instagram @rolhadeouro.pt

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