Castelo de Leiria é eleito uma das novas 7 maravilhas de Portugal

Monumento venceu na categoria Castelos por votação do público, meses depois de ser atingido pela depressão Kristin

O Castelo de Leiria foi eleito uma das novas 7 maravilhas de Portugal, na categoria Castelos, na noite de sábado, 12 de setembro. O resultado foi anunciado durante a Grande Final Nacional do concurso, realizada no Palácio Nacional de Sintra. A escolha foi feita pelo público entre os três finalistas da categoria: o Castelo de Leiria, a Fortaleza de São João Baptista, em Angra do Heroísmo, e a Fortaleza de Valença. A organização das 7 Maravilhas confirma oficialmente o monumento leiriense como vencedor.

A decisão integrou uma final com 21 patrimónios, três por cada uma das sete categorias. Segundo a organização, os vencedores foram determinados pelos patrimónios mais votados em cada categoria, numa votação auditada pela PwC. O caminho do Castelo de Leiria até à final começou na Região Centro, onde venceu a votação regional na categoria Castelos. Na fase nacional, ficou entre os 21 finalistas, avançando para a decisão que reuniu os três patrimónios mais votados de cada categoria.

A votação final decorreu entre 5 e 12 de setembro, através de chamadas telefónicas e da aplicação TVI Pass. Cada voto teve um custo de 1 euro acrescido de IVA, segundo o regulamento da organização.

Uma vitória num ano marcado pela tempestade

A distinção chega meses depois de o Castelo de Leiria ter sido atingido pela depressão Kristin, que atravessou Portugal em 28 de janeiro. De acordo com documentação do Município de Leiria, a tempestade provocou danos no monumento, incluindo a derrocada parcial de uma muralha, fissuras e fendas em diferentes estruturas, danos em coberturas, portas e janelas, além de erosão dos solos e queda de árvores. O castelo encontra-se encerrado desde 28 de janeiro na sequência dos efeitos da tempestade.

A recuperação do monumento passou a integrar o conjunto de intervenções necessárias após a tempestade. Em março, o Governo anunciou apoio financeiro através do Fundo de Salvaguarda do Património Cultural para as intervenções no castelo. O Município estimou que a recuperação e outras intervenções de maior dimensão poderão representar um investimento de cerca de 10 milhões de euros.

Foi neste contexto que a vitória nas 7 Maravilhas ganhou um significado particular para Leiria. Após o resultado, o presidente da Câmara Municipal, Gonçalo Nuno Lopes, associou a distinção ao processo de recuperação do concelho. Numa publicação nas redes sociais, afirmou que a conquista ganha um significado ainda maior depois da destruição provocada pela tempestade.

“Reerguer Leiria é isto: recuperar o que foi destruído, preservar aquilo que somos e construir de novo com ainda mais força”, escreveu o autarca.

Gonçalo Nuno Lopes também relacionou a história do monumento com a capacidade de recuperação da própria cidade. “O Castelo atravessou séculos da nossa história. Resistiu, foi reconstruído e voltou sempre a erguer-se”, afirmou. O presidente da Câmara terminou a publicação com uma mensagem dirigida aos habitantes do concelho: “Leiria não cai. Leiria tem a força para se reerguer.”

A eleição, contudo, não representa, por si só, um financiamento específico para as obras de recuperação do monumento. Os apoios públicos anunciados para esse efeito resultam de medidas adotadas no âmbito da recuperação dos danos provocados pela tempestade.

Um símbolo histórico de Leiria

O Castelo de Leiria é uma das principais referências históricas e patrimoniais da cidade. Segundo a organização das Novas 7 Maravilhas de Portugal, o monumento foi fundado em 1135 por D. Afonso Henriques e teve importância estratégica na defesa do território. Durante o reinado de D. Dinis, no século XIV, a fortaleza foi transformada num paço real e tornou-se também residência da Rainha Santa Isabel.

Ao longo dos séculos, o castelo passou por diferentes períodos de transformação e sofreu danos durante as invasões francesas. Mais tarde, foi alvo de um processo de recuperação associado ao arquiteto Ernesto Korrodi. A sua história ajuda a explicar a importância que o monumento mantém para a cidade e para os seus habitantes. Em 2026, essa ligação ganhou uma nova dimensão com a escolha pelo público como uma das Novas 7 Maravilhas de Portugal.

Além do Castelo de Leiria, foram distinguidos nesta edição o Aqueduto da Usseira, em Óbidos, as Ruínas de São Cucufate, em Vila de Frades, a Sé de Lisboa, os Mercados de Olhão, a Tiago Cabaço Winery, em Estremoz, e o Jardim do Paço Episcopal, em Castelo Branco. A escolha do castelo encerra, assim, um percurso que começou numa votação regional e terminou numa decisão nacional. Para Leiria, o reconhecimento chega num momento em que o monumento ainda enfrenta as consequências da tempestade que o atingiu no início do ano.

Depois de séculos de história, destruição e recuperação, o Castelo de Leiria ganha agora um novo título: é oficialmente uma das novas 7 maravilhas de Portugal.

Redação
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