Se Fernando Alexandre foi pouco rigoroso, Luís Neves foi pouco ético



O eurodeputado João Cotrim Figueiredo considerou, este domingo, que o Governo está a demonstrar sinais de “desgaste”, na sequência dos dois casos que envolvem “ministros-estrelas”, dado que estes não são “quaisquer governantes”. Particularmente, quanto a Luís Neves, diz que este parece “não ter deixado amigos na Polícia Judiciária”.

“Fernando Alexandre é claramente um dos melhores ministros deste Governo, com ideias claras do que quer fazer na Educação – e tenho muita pena que se tenha metido nesta ventura autêntica. Ainda ainda hoje ninguém conseguiu explicar por que razão este processo tinha de avançar este ano impreterivelmente – até porque foi contratada uma empresa para concluir este processo em 2027”, referiu, no seu espaço de comentário “Visto Assim”, emitido na SIC Notícias.

O antigo presidente da Iniciativa Liberal (IL) disse ainda, dado que há alunos que só vão ter conhecimentos das notas na segunda-feira, após verem a caracterização “suspensa”: “E estamos a meio da novela”.

“Nenhum dos alunos confia que a nota que vai ver é correta. O número de reapreciações vai ser absolutamente gigantesco. É uma grande pressão sobre professores e escolas”, afirmou, falando ainda dos prazos que vêm aí, nomeadamente, em relação ao processo ao acesso do Ensino Superior e também sobre a 2.ª fase.

“À custa daquilo que é uma confusão, à custa dos alunos e famílias, foi-se fazer isto para quê?”, questionou, apontando que a reforma é necessária, mas “tem de ser bem feita” ou “dá má nome” às reformas.

Já quanto ao ministro da Administração Interna, Luís Neves, Cotrim afirmou: “Se Fernando Alexandre foi se calhar demasiado voluntarista e pouco rigoroso, Luís Neves não foi nada rigoroso e foi pouco ético. Se calhar, nenhum dos casos e casinhos que fomos sabendo ao longo desta semana, “per se”, não era suficientemente grave, mas o conjunto é impressionante”.

“É difícil imaginar como é que alguém começa a tomar posse de ministro da Administração Interna sem declarar ao Tribunal Constitucional a existência da empresa da mulher com quem é casado com comunhão de adquiridos – e que só veio a corrigir em maio. É impossível não perceber que aquele tipo de informação tem de ser prestada”, apontou ainda.

Quanto à execução das obras, o liberal falou ainda sobre não serem permitidas “novas obras” e também do aparecimento de um contentor. “Independentemente daquilo ter sido aprovado devidamente para sair do parque onde estava no Seixal, porquê Barcelos? Não havia nada mais perto para um material perigoso que depois ficou à porta de uma empresa de construção – se calhar, numa via pública com igual perigo”, atirou.

Quanto a uma possível saída, Cotrim considerou que a saída não devia acontecer, pelo menos para já: “Não é altura de pedir cabeças, estamos numa altura crítica para a administração interna. Acho que seria irresponsável mudar de ministro nesta altura, mas há muitas explicações a dar”, justificou.

Ainda sobre Luís Neves, o eurodeputado fez a sua avaliação dos ‘amigos’ de quem está rodeado. “Parece evidente que Luís Neves não tem muitos amigos no Conselho de Ministros, não deixou muitos amigos na Polícia Judiciária. Não sei se também deixou poucos amigos noutras organizações de que faça parte – mas tem alguns amigos no Partido Socialista, porque nunca vi o Partido Socialista tão caladinho perante problemas de um ministro”.

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