Na resposta, Ricardo Araújo referiu que se reúne com todos os embaixadores acreditados em Portugal e que a dimensão de política internacional cabe ao Estado.
“Reunir com o embaixador de Israel e discutir tecnologia, inteligência artificial, proteção civil, indústria ou investimento sem abordar a situação humanitária em Gaza e o respeito pelo direito internacional seria tão incompreensível como reunir institucionalmente com o embaixador da Federação Russa e falar de cooperação económica sem questionar a invasão da Ucrânia”, referem os socialistas, em carta aberta dirigida ao presidente da Câmara de Guimarães, Ricardo Araújo (PSD).
Admitem que “a diplomacia exige diálogo”, mas sublinham que “o diálogo institucional não pode significar silêncio perante questões que interpelam a consciência democrática e os princípios fundamentais” que defendem.
Por isso, perguntam se, durante a reunião, o presidente da Câmara de Guimarães confrontou o representante diplomático de Israel “com o crescente isolamento internacional daquele Estado e com a profunda mudança que se tem verificado na opinião pública portuguesa perante a dimensão da destruição, do sofrimento e da perda de vidas civis provocados pelo conflito em Gaza”.
“Esta não é uma questão lateral, nem pode ser ignorada numa reunião desta natureza. Pelo contrário, está inevitavelmente subjacente a qualquer contacto institucional com representantes do Estado de Israel no atual contexto internacional”, lê-se na carta aberta.
Na resposta, Ricardo Araújo disse que continuará a receber os embaixadores de países com quem Portugal tem relações diplomáticas e que estejam acreditados em Portugal.
“São relações diplomáticas, institucionais (…). O presidente da Câmara de Guimarães, como representante dos vimaranenses, sabe bem receber todos aqueles que nos visitam”, referiu.
Acrescentou que, para lá disso, “há uma dimensão de política internacional que é da competência do Estado, a nível central”.
“Não me cabe a mim interferir”, apontou.
Vincou que tem a sua opinião “sobre qualquer assunto, mas não é isso que está aqui em causa”.
“Há uma relação institucional do presidente da Câmara, que recebe naturalmente os embaixadores que estão acreditados em Portugal, porque se estão acreditados em Portugal significa que têm relações diplomáticas e que têm o direito de serem reconhecidos institucionalmente. E, portanto, a esse nível o presidente da Câmara cumpre também, se quiserem, com essa responsabilidade”, disse ainda.
Lembrou que, este mês, recebeu embaixadores de 13 países, entre os quais o de Israel, “à boleia” da sessão solene de investidura de novos membros da Academia da Diplomacia, que se realizou em Guimarães, no distrito de Braga.
“Isso foi muito importante porque permitiu dar visibilidade a Guimarães, permitiu debater e discutir a possibilidade de criarmos novas pontes com esses países, a possibilidade de criarmos novas geminações com alguns destes países e, no fundo, reforçar esta cooperação de Guimarães com esta rede internacional, de projetar Guimarães, de atrairmos mais turistas, mais visitantes. No fundo, colocar Guimarães no topo da agenda nacional e internacional”, referiu Ricardo Araújo.
Em nota publicada no Facebook, o município refere que o encontro permitiu explorar novas possibilidades de colaboração em áreas estratégicas para o desenvolvimento do território, como a inovação, a tecnologia, a proteção civil, a qualificação de recursos humanos e a atração de investimento.
“A reunião constituiu uma oportunidade para conhecer experiências israelitas na modernização dos serviços municipais, nomeadamente através do desenvolvimento de soluções tecnológicas partilhadas entre autarquias”, acrescenta.
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