Presidente de junta de Palmela abandona Chega: “Incompatibilidades”

“Na qualidade de presidente da Junta de Freguesia de Quinta do Anjo, eleito para o mandato autárquico 2025–2029, venho tornar pública e dar conhecimento formal às entidades autárquicas competentes da minha decisão de cessar a minha vinculação político-partidária ao partido Chega e passar a exercer o mandato em regime de independência política, com efeitos imediatos”, informou Nuno Valente, num comunicado oficial divulgado na segunda-feira no ‘site’ da autarquia.

O autarca de Quinta do Anjo, no concelho de Palmela, distrito de Setúbal, disse que é “uma decisão pessoal, ponderada e definitiva”, que resulta de “incompatibilidades políticas e institucionais profundas e insanáveis com estruturas partidárias ex-concelhia e ex-distrital”, bem como de ausência de apoio e de condições de cooperação para o exercício do mandato.

Antes de Nuno Valente se desvincular do partido pelo qual foi eleito, os restantes três eleitos do Chega renunciaram ao mandato no executivo da freguesia de Quinta do Anjo, designadamente Carla Serafim, Lourenço Ferreira e Paula Robalo.

Aquando da renúncia do terceiro de quatro elementos do Chega, concretamente da vogal Paula Robalo, em 17 de julho, o executivo desta freguesia de Palmela ficou sem quórum, o que poderá obrigar a eleições intercalares.

Em declarações à agência Lusa, Nuno Valente confirmou a desvinculação ao partido Chega e adiantou que a situação de falta de quórum na autarquia será discutida numa assembleia extraordinária, a realizar “a meio de setembro”, para “recompor o executivo da freguesia”, através das forças políticas eleitas.

“Se não houver um consenso, haverá eleições intercalares”, indicou o presidente da junta de Quinta do Anjo, reforçando, contudo, que essa solução será “em último recurso”.

No comunicado, o autarca indicou que, desde o início do mandato, houve situações de “conflitualidade e incompreensão por parte de determinados intervenientes políticos, sobretudo quando as decisões tomadas pela presidência da junta tiveram como único fundamento a defesa do interesse público, da legalidade, da transparência e dos legítimos interesses da população da freguesia de Quinta do Anjo”.

Defendendo que a governação de uma autarquia não pode estar subordinada a interesses partidários, pessoais ou internos que se sobreponham ao interesse público, o presidente da junta afirmou que não abdicará de ter autonomia para tomar decisões em defesa da freguesia e frisou que a desvinculação do Chega “não representa uma renúncia ao mandato, nem um abandono das responsabilidades” assumidas perante os eleitores de Quinta do Anjo.

Nuno Valente salientou ainda que o respeito pelo papel dos partidos políticos na democracia “não pode significar a aceitação de condicionamentos partidários sobre a atuação de um órgão autárquico”, defendendo que os interesses da população devem estar sempre acima de qualquer estratégia partidária.

“A minha saída do Chega não significa que abandone o projeto para o qual fui eleito. Significa que passo a exercê-lo com plena independência política e com uma única prioridade: Quinta do Anjo”, declarou.

Nas eleições autárquicas de 2025, o Chega foi a força política mais votada na freguesia de Quinta do Anjo, com 26,94% dos votos e quatro eleitos, seguido pela CDU (coligação PCP/PEV), com 26,71% e também quatro eleitos, PS, com 25,50% e três eleitos, e AD (coligação PSD/CDS-PP), com 13,90% e dois eleitos.

O executivo da junta de freguesia (que emana da eleição à assembleia de freguesia) integrava quatro eleitos do Chega e um eleito da AD, mas neste momento, face à demissão de três eleitos do Chega, restam apenas dois, o atual presidente Nuno Valente e um eleito da AD.

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Fonte: www.noticiasaominuto.com

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