“Foi produzido um relatório que daqui a algum tempo irei retomar para fazermos um ponto de situação e avaliarmos as medidas preventivas para enfrentarmos futuras tempestades”, afirmou António José Seguro, na sua intervenção no Dia do Município da Batalha, no distrito de Leiria.
Portuguese President, Antonio José Seguro, delivers a speech at the 2nd Lisbon Conference organised by the NOW channel (Medialivre) under the theme “The Great Transformation: The World in an Age of Uncertainty”, and curated by Durao Barroso, the event focuses on the debate surrounding transatlantic relations and the new geopolitical order, Liosbon, Portugal, 16th June 2026. ANTONIO COTRIM/LUSA
O Presidente da República anunciou hoje, na Batalha, que vai fazer o ponto de situação do relatório produzido após a Kristin para avaliar as “medidas preventivas para enfrentarmos futuras tempestades”.
“Foi produzido um relatório que daqui a algum tempo irei retomar para fazermos um ponto de situação e avaliarmos as medidas preventivas para enfrentarmos futuras tempestades”, afirmou António José Seguro, na sua intervenção no Dia do Município da Batalha, no distrito de Leiria.
O Presidente da República sublinhou que o “presente sinaliza, todos os dias, novos perigos e com uma intensidade inédita”.
“Não temos tempo a perder e, em algumas dimensões, partimos atrasados”, alertou, ao reconhecer que o “Estado não estava preparado para enfrentar tanta devastação”, quando no dia 28 de janeiro a tempestade Kristin atingiu a região de Leiria.
Afirmando que passou pela região dias depois, António José Seguro partilhou “o desespero de muita gente”, constatando que “era impossível resistir a ventos que chegaram a atingir 200 quilómetros por hora”.
Para o chefe de Estado, os “momentos de crise são também reveladores” e fazem “despertar para a importância das pessoas e das estruturas de proximidade”, assim como da “solidariedade humana”.
Destacando o papel, “entre outros” dos “bombeiros, os agentes das forças de segurança, as estruturas de saúde e de solidariedade social, os técnicos das companhias de eletricidade, de água e de comunicações”, Seguro reforçou o elogio aos autarcas “cujo papel foi determinante e não se esgotou naqueles dias”.
“O processo de reconstrução é também ilustrativo de como temos de refletir sobre a nossa segurança e a nossa autonomia. Desde os meios mais simples, comunicações de emergência ou geradores de energia, até aos sistemas complexos de financiamento que permitam debelar as dificuldades o mais depressa possível”, alertou.
Seguro considerou que o “exemplo do Município da Batalha, que recorreu a um empréstimo de cerca de quatro milhões de euros para financiar investimentos e responder aos danos da tempestade, é revelador de como o Estado precisa de mais agilidade e de mais descentralização na tomada de decisões”.
Considerou ainda que a “resposta das companhias de seguros, a lentidão das operadoras de comunicações e das redes elétricas”, aliadas à “falta de mão-de-obra para a reconstrução, são fatores que exigem ponderação séria”.
Além da “preocupação legítima e urgente” com os incêndios, o Presidente da República alertou para os sinais “silenciosos, de natureza mais sensível, que se manifestam sobretudo nos momentos de ansiedade ou de medo”, pois “há muitas feridas por sarar e nem todas se veem nos telhados ou nas estradas”.
A passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta e os temporais que atingiram o território continental durante cerca de três semanas, sobretudo nas regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo, causaram pelo menos 19 mortos, mais de metades durante trabalhos de recuperação, várias centenas de feridos, desalojados e deslocados.
As tempestades provocaram a destruição total ou parcial de milhares de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias, com prejuízos superiores a cinco mil milhões de euros.
O Governo decretou que 90 municípios nas zonas afetadas pela depressão Kristin estavam em situação de calamidade, uma declaração que implica uma série de apoios e de medidas de exceção, estendendo posteriormente a situação a todo o território desde que os danos se devam às tempestades.
Fonte: jornaleconomico.sapo.pt






