Ministro da Administração Interna diz estar a reunir documentos para explicar polémica

“Estou a reunir todos os documentos, tudo aquilo que eu entendo que é relevante para, ponto por ponto, vos esclarecer a todos”, disse Luís Neves, em Viana do Castelo, acrescentando que responderá “em todo o lado”.

O ministro da Administração Interna, Luís Neves discursa durante a cerimónia de Compromisso de Honra do 38.º Curso de Formação de Oficiais de Polícia, em Lisboa, 30 de junho de 2026. ANTÓNIO COTRIM/LUSA

O ministro da Administração Interna disse hoje estar a reunir os documentos que considera importantes no âmbito das obras da sua casa em Odemira e do atrelado encontrado em casa do construtor que trabalhou na sua propriedade.

“Estou a reunir todos os documentos, tudo aquilo que eu entendo que é relevante para, ponto por ponto, vos esclarecer a todos”, disse Luís Neves, em Viana do Castelo, acrescentando que responderá “em todo o lado”.

“Quero dizer ainda, relativamente a uma investigação que foi aberta, que ainda bem que o foi”, disse ainda, em referência ao inquérito aberto pela Procuradoria-geral da República (PGR) sobre as suspeitas relacionadas com o atrelado encontrado nas instalações da empresa Construbarcelos, que fez obras numa propriedade do ministro da Administração Interna.

“Nos últimos dias tenho vindo a ser alvo de ataques que colocam em causa a minha honra e a minha dignidade”, referiu Luís Neves, numa comunicação aos jornalistas, sem direito a perguntas.

Na passada sexta-feira, a Polícia Judiciária anunciou que abriu um inquérito sobre o atrelado apreendido num processo de tráfico de droga que foi encontrado atracado a um camião da empresa Construbarcelos, que fez obras numa propriedade do ministro da Administração Interna.

No mesmo dia, a PGR confirmou “a existência de um inquérito relacionado com bens apreendidos à ordem do processo designado ‘Operação Pacoba’”.

Sobre o inquérito da PJ, a direção nacional desta polícia explicou, em comunicado, que “teve conhecimento de que uma galera apreendida, no âmbito de um inquérito relacionado com o tráfico de estupefacientes, havia sido movimentada e parqueada em Barcelos”.

A polémica teve início no dia 10 de julho, quando o semanário Nascer do Sol noticiou que o ministro da Administração Interna contratou para remodelar um imóvel que detém em Odemira uma empresa anteriormente responsável por obras na PJ quando Luís Neves era diretor nacional.

Segundo a publicação, entre 2020 e 2025, a empresa Construbarcelos recebeu cerca de 1,9 milhões de euros em contratos públicos, valor confirmado dias depois pelo ministro da Administração Interna, em entrevista à TVI/CNN.

Já na semana passada, a Câmara de Odemira disse que está a verificar a legalidade das obras realizadas no imóvel particular de Luís Neves, na freguesia de São Teotónio.

Em resposta por escrito a questões colocadas pela agência Lusa, o município esclareceu que “não está em curso qualquer processo de licenciamento ou comunicação de obras nos prédios” localizados na freguesia de São Teotónio.


Fonte: jornaleconomico.sapo.pt

Leia também

Colunistas

- Publicidade -
0FansLike
0FollowersFollow
0SubscribersSubscribe