O empresário multimilionário e investidor Mark Cuban não acredita que os médicos venham a ser substituídos por ferramentas de Inteligência Artificial. Por outro lado, Cuban considera que os médicos deviam ensinar os seus pacientes a recorrer a estas ferramentas como parte dos seus tratamentos.
Cuban fez uma série de publicações na rede social X onde explica a lógica da sua sugestão, respondendo aos vários internautas que apresentaram objeções.
“Não vejo um mundo em que a Inteligência Artificial tenha capacidade de julgar e saiba os resultados das suas decisões sem ter envolvimento de um ser humano”, escreveu Cuban numa das primeiras publicações. “Obviamente, não sou médico, mas não haverá um momento em que a observação em tempo real, a comunicação e o contexto não importem. Um humano não consegue consumir e lembrar-se de todos os dados e informação da forma que uma Inteligência Artificial consegue. Por isso a Inteligência Artificial terá sempre valor”.
Human Dr to patient – You just puked. Let’s find out why.
AI – Nothing AI can’t see and reason in real time.
Human Dr sees patient collapse. Does CPR.
AI – Nothing AI can’t see or do CPR
Human Dr sees patient- Discusses patients with other doctor who knows patient and… https://t.co/0qCLjdtIVH
— Mark Cuban (@mcuban) August 19, 2026
Por outro lado, Cuban acrescentou em outra publicação que, se tivesse uma clínica privada, se sentaria com o paciente e ajudá-lo-ia a configurar um assistente de Inteligência Artificial – dando o exemplo do Claude da Anthropic, do ChatGPT da OpenAI, do Gemini da Google ou o Grok do X.
O empresário explica que os médicos devem configurar estas ferramentas de Inteligência Artificial com instruções e os “prompts” para o paciente usar, com os resultados a serem partilhados posteriormente com o profissional de saúde.
“Grande modelo de linguagem, todos os dias às 17:00 quero que coloques ao Joe as seguintes perguntas e lhe mostres a tua resposta. Uma vez finalizado, quero que me envies um e-mail com toda essa conversa”, explica Cuban. “Todas as manhãs quero que procures pelas novas questões que enviei por e-mail ao Joe a partir do meu e-mail”.
“Ajuda o teu paciente a usar Inteligência Artificial para te ajudar a ti a ajudar o paciente”, concluiu o empresário.
If I was a doctor with a private practice, I would offer to sit with the patient and configure their Claude, ChatGPT, Gemini and Grok with instructions and skills, along with a series of prompts/tasks that the patient can use and that can be shared with the doctor and inform the…
— Mark Cuban (@mcuban) August 20, 2026
Metade dos portugueses admite recorrer a IA em vez de ir ao médico
Mais de metade dos portugueses (51%) considera recorrer à inteligência artificial (IA) em vez de consultar um médico, abaixo da média de 58% registada nos 20 países analisados num estudo hoje divulgado.
O relatório STADA Health Report 2026 coloca Portugal na 15.ª posição entre 20 países, numa tabela liderada pelo Cazaquistão (74%) e fechada pelo Uzbequistão (45%).
O estudo, realizado entre fevereiro e março de 2026 envolvendo cerca de 20.000 entrevistados, conclui que a abertura à utilização da IA na saúde é maior entre os homens, os mais jovens e as pessoas que recorrem à automedicação, sugerindo que uma maior familiaridade com a gestão autónoma da saúde favorece a aceitação destas ferramentas.
Os resultados do inquérito mostram que 30% dos portugueses inquiridos usam IA para entender diagnósticos, 22% para prevenção, 13% para preparar uma consulta, 11% para segunda opinião, 6% para suporte em saúde mental, enquanto 49% não usam IA para saúde.
O relatório revela ainda que quatro em cada dez portugueses (41%) estariam dispostos a armazenar todo o seu historial e dados de saúde num sistema de inteligência artificial para melhorar o diagnóstico, a prevenção ou o tratamento, um valor próximo da média dos 22 países analisados (43%).
Como preocupações quanto à utilização da inteligência artificial na saúde, 61% dos portugueses inquiridos temem erros ou diagnósticos incorretos, acima da média dos 20 países (54%). Seguem-se as preocupações com a utilização indevida dos dados de saúde (46%), acima da média dos países analisados (41%), e com a redução da interação humana nos cuidados de saúde (43%), também acima da média (38%).
Apesar destas reservas, os portugueses reconhecem benefícios potenciais da utilização da IA. Mais de metade (51%) acredita que poderá contribuir para diagnósticos mais rápidos, acima da média dos países analisados (43%).
Outros 38% esperam um acesso mais fácil aos serviços de saúde, incluindo em zonas rurais ou carenciadas, e 35% consideram que a tecnologia poderá ajudar os médicos a manterem-se atualizados sobre os mais recentes conhecimentos científicos.
Os dados sobre Portugal acompanham uma tendência identificada no conjunto do estudo: os mercados da Europa de Leste revelam maior abertura às consultas apoiadas por inteligência artificial do que os da Europa Ocidental.
Em comunicado, os autores do relatório salientam que a IA já faz parte da forma como os europeus gerem a sua saúde, sublinhando que 82% estão abertos à sua utilização nos cuidados de saúde e 55% já recorrem ativamente a esta tecnologia para questões relacionadas com a sua saúde.
Ainda assim, o relatório conclui que a confiança continua a centrar-se nas pessoas: 77% dos europeus recorrem ao médico de família ou a outros profissionais de saúde para tomar decisões relacionadas com a sua saúde, enquanto cerca de oito em cada dez preferem consultas presenciais.
Os resultados mostram também que os europeus não esperam que os profissionais de saúde recuem perante a crescente utilização da IA, mas sim que vejam o seu papel reforçado e adaptado.
“Perante a pressão crescente sobre os sistemas de saúde, os europeus assumem um papel cada vez mais ativo na gestão da sua saúde”, com 78% a considerarem possuir os conhecimentos e os recursos necessários para cuidar de si próprios, enquanto 94% recorrem à automedicação para, pelo menos, alguns problemas de saúde.
Além disso, a maioria (85%) utiliza uma ou mais ferramentas de monitorização – desde dispositivos de acompanhamento da atividade física a equipamentos de medição para utilização doméstica – para acompanhar o seu estado de saúde, salienta o comunicado.
Se pudessem definir as prioridades enquanto ministros da Saúde, 58% dos europeus afirmam que investiriam no aumento do número de profissionais de saúde para reduzir os tempos de espera, enquanto 49% dariam prioridade ao reforço do acesso aos cuidados de saúde primários.
O estudo ‘online’ independente foi realizado pelo instituto internacional de estudos de mercado Human8, em nome do grupo farmacêutico internacional STADA, e decorreu na Alemanha, Áustria, Bélgica, Bulgária, Cazaquistão, Espanha, França, Hungria, Irlanda, Itália, Lituânia, Polónia, Portugal, Reino Unido, Roménia, Sérvia, Eslováquia, Suíça, Chéquia e Uzbequistão.







