Exames? Ministro “nunca deixou de estar ao leme dos acontecimentos”



“A prova de que [o ministro] não perdeu qualidade é que não deixou de estar ao leme dos acontecimentos, procurando mitigar e resolver os transtornos causados às famílias”, observou Hugo Soares, em declarações aos jornalistas em Arcos de Valdevez, distrito de Viana do Castelo, onde participou num balanço das Jornadas “Estado da Nação – Governar com resultados”.

Para Hugo Soares, a transformação em curso “é melhor para os alunos e os professores”, sendo necessário “corrigir os erros e esperar que, da próxima vez, tudo possa correr na perfeição”, evitando o “sobressalto que aconteceu às famílias portuguesas e é inegável”.

Questionado sobre se o ministro da Educação tem condições para continuar no cargo, Hugo Soares sublinhou que “os ministros de um governo devem corrigir problemas e fazer mudanças”, sendo que a avaliação digital dos exames “é uma mudança grande, que evidentemente tem implicações e nem tudo correu bem”.

Quanto à existência de desconforto dentro do Governo devido a este processo, o secretário-geral respondeu: “Na minha opinião, não. Mas essa pergunta tem que ser feita aos membros do Governo e ao Governo. Eu não faço parte do Governo de Portugal”.

O social-democrata disse ainda que “houve sempre falhas nos exames”.

“Houve sempre exames que não aparecem, muitas vezes por erro humano. Acontece, seja por responsabilidade de quem os transporta, seja por outra responsabilidade qualquer, isto tem acontecido sempre”, sustentou.

Para o social-democrata, o atual processo foi “o mais transparente de sempre” e teve a “vantagem” de colocar a nu “algumas fragilidades e alguns problemas sempre aconteceram”.

“Aquilo que o ministro está a fazer é procurar corrigir os erros e, como ele disse, dar garantias de transparência e, sobretudo, de tratamento igualitário e justo a todos os alunos”, sublinhou.

Hugo Soares elogiou a conferência de imprensa de hoje do ministro Fernando Alexandre, considerando que mostrou “uma grande clareza, uma humildade tremenda e grande competência”.

“É evidente que os problemas ainda persistem e existem problemas. Aparentemente, todos estão a ser resolvidos ao longo do dia de hoje. O que o ministro está a garantir é que, face aos problemas que existiram, ninguém fica com nenhum tratamento mais desfavorável”, afirmou.

Admitindo “centenas de problemas” no processo de classificação dos exames, o secretário-geral vincou que “também houve muitos milhares de casos em que não houve problema nenhum”.

“Relativamente ao método de classificação para os professores classificadores, este método é melhor e eles não o desmentem. Relativamente a ser mais justo para os alunos, este método também é melhor”, vincou.

Para Hugo Soares, agora é preciso procurar “que o método tenha um procedimento correto e que, para a próxima vez, não haja falhas”.

O ministro da Educação considerou hoje que cumpriu a missão no processo de classificação dos exames nacionais e que os problemas registados foram corrigidos, entendendo que o cargo não está em risco.

“Se isto tivesse corrido muito mal, não haveria dúvidas de que a minha posição estaria em causa”, afirmou em resposta aos jornalistas, dizendo que “no final do dia de hoje” poderá “dormir tranquilamente”.

O governante anunciou que os alunos prejudicados poderão realizar exames nacionais numa época especial que se realizará em setembro.

O ministro referiu ainda a necessidade de alterar o calendário da 2.ª fase do Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior (CNAES).

Pela primeira vez este ano, os cerca de 300 mil exames nacionais do ensino secundário foram avaliados em formato digital, mas o processo registou várias falhas.

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