A primeira envolveu reunir forças numa posição mais recuada. Tendo percebido, e bem, o impacto real e bastante negativo da crise dos exames junto do eleitorado, incluindo o da AD, Montenegro recuou estrategicamente face ao passa-culpas do primeiro momento. Se inicialmente o primeiro-ministro aludiu a elementos dentro do sistema de Ensino que estariam a colocar entraves à reforma decidida pelo ministro Fernando Alexandre – uma crítica implícita à comunidade escolar – este domingo foi dia de “reconhecer que este processo não correu bem”.
Foi dia para “lamentar a perturbação” que o caos nos exames causou aos alunos e às suas famílias. E foi dia para tentar “enterrar o machado de guerra”, ensaiando uma pequena oferta de paz ao “agradecer a todos os diretores, a todos os professores classificadores e relatores e aos técnicos (…), cujo empenho foi essencial para mantermos a tranquilidade”.
Nada disto, no entanto, soou a desistência quanto ao ministro da Educação. Pelo contrário. Montenegro insistiu que o Governo – personificado no ministro com a tutela, Fernando Alexandre – teve a “determinação e a convicção de que o caminho era o caminho correto”. E enalteceu-lhe, implicitamente, a “coragem”, afirmando que esta era “mais uma” das muitas reformas que o PS nunca fez sair das gavetas, que “estavam cheias” precisamente por falta dela.
Para a polémica do ministro da Administração Interna, Luís Neves, e a moção de censura que a acompanha, Montenegro reservou a segunda linha de defesa: não reconhecer, para já, a sua existência, remetendo-se ao silêncio quase total.






