Rolha de Ouro: A lista de desejos mudou, e o vinho tem culpa

Por Carlos Mendes e Priscila Silva

Uma história sobre razão, emoção, e chegar a casa com mais uma garrafa

É engraçado como as coisas evoluem ao longo da nossa jornada. Há uns anos, a minha lista de desejos tinha bolsas, sapatos, coisas que hoje nem me lembro bem porquê. Hoje essa lista resume-se quase toda a vinhos e espumantes, viagens para beber vinho, visitas a quintas, enoturismo. É evolução, e confesso que estou feliz assim. Não que tenha deixado de gostar das coisas de antes, mas já não é com o mesmo prazer.

Ontem estava no supermercado a fazer compras para um jantar que tinha imaginado na cabeça, e faltavam-me alguns ingredientes. Andei a passear pelas prateleiras e vi um vinho da Cartuxa que ainda não conhecia, com uma avaliação dentro do que costumamos considerar bom, e pensei seriamente em trazê-lo para casa. Acreditem, é rara a vez que vou ao mercado e não trago vinho. Mas estamos em contenção de gastos por objetivos pessoais, e também já temos bastante vinho em casa à espera de ser bebido. Não que isso seja motivo para não levar mais um, mas pronto, desta vez resisti.

À noite, durante o jantar, estávamos a falar do vinho que estávamos a beber, o Vinha da Valentina Superior Tinto, e adorámos. Comentei com o Carlos que estava cada vez mais difícil encontrar vinhos que agradem ao nosso paladar nas prateleiras do supermercado, e que ainda não conseguimos comprar sempre em garrafeiras. E contei-lhe do Cartuxa que tinha visto de manhã, com boa avaliação, mas que não tinha trazido.

Hoje ele acordou primeiro e foi ao mercado. Voltou com o Cartuxa de que eu lhe tinha falado, o EA Reserva Tinto 2023, sem que eu pedisse nada. E trouxe mais dois: um Campus Vinhas Velhas, da Adega Cooperativa de Borba, e uma Vinha da Valentina, desta vez na versão Cabernet Sauvignon 2024, já que a que bebemos ontem foi tão boa que merecia repetição.

Fizemos as contas depois: ao todo, gastamos pouco mais de 15 euros nas três garrafas (3,99 € pelo Campus, 3,99 € pela Valentina Cabernet Sauvignon, 7,09 € pelo Cartuxa Reserva), e ficámos com três vinhos bem diferentes para três ocasiões diferentes. O Campus é daqueles vinhos descomplicados de frutos vermelhos maduros e taninos macios, perfeito para um jantar qualquer de semana. A Valentina Cabernet Sauvignon tem mais estrutura, com aquele toque frutado e aveludado tão típico dos tintos da Península de Setúbal. E o Cartuxa Reserva é o mais elegante e afinado dos três, com bom equilíbrio entre fruta madura e persistência, à imagem da gama Reserva da casa. Todos bem avaliados no Vivino, entre as 3,9 e as 4 estrelas. Não é preciso gastar muito para ter opções para tudo.

E é isto. Um de nós age pela razão, o outro pela emoção. Mas os dois, sempre a tratar de ter um bom vinho à espera para a jornada tão especial que é a nossa vida a dois: a descobrir rótulos, a conhecer, a criar histórias.

A perspetiva do Carlos

Não houve grande cálculo da minha parte, prometo. A Priscila falou do Cartuxa ao jantar, eu ouvi, e no dia seguinte estava lá, no mesmo supermercado, e lembrei-me. Se calhar é isso que chamam agir pela razão, mas para mim pareceu-me só a coisa óbvia a fazer. O que não estava nos planos foi vir também com mais duas garrafas. Isso já é feitio, não é razão nenhuma. 

E vocês? Já reparam em como a vossa lista de desejos mudou com o tempo? E, lá em casa, quem é que age mais pela razão e quem se deixa levar pela emoção?

Contem-nos no Instagram @rolhadeouro.pt.

Até lá, boas descobertas, boas garrafas e, já sabem, boas histórias para contar.

Até à próxima semana.

ROLHA DE OURO

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