Mas novo desafio é fazer cada visitante gastar mais Portugal continua a atrair milhões de visitantes e a gerar receitas recorde, mas o ritmo de crescimento está a abrandar. Dados do primeiro semestre mostram um setor forte, enquanto o comércio e a restauração enfrentam uma nova realidade: mais turistas nem sempre significam maior consumo por compra.
O turismo continua a ser uma das principais forças da economia portuguesa em 2026. Entre janeiro e junho, Portugal recebeu 15,1 milhões de hóspedes, responsáveis por cerca de 36,8 milhões de dormidas, com crescimentos de 2,1% e 1,3%, respetivamente, face ao mesmo período do ano passado. (TravelBI)
As receitas turísticas também mantiveram uma trajetória positiva. No primeiro semestre, chegaram a aproximadamente 12,9 mil milhões de euros, mais 4,2% do que no período homólogo de 2025. Reino Unido, Alemanha e Estados Unidos continuam entre os mercados mais importantes para a atividade turística portuguesa. (TravelBI)
Mas os números escondem uma mudança importante no comportamento dos visitantes.

Mais turistas, compras de menor valor
Dados do Turismo de Portugal, baseados em operações com cartões bancários e divulgados recentemente, mostram que o valor médio de cada compra realizada por turistas estrangeiros caiu para 35,70 euros no primeiro semestre de 2026, o valor mais baixo desde 2019.
Ao mesmo tempo, o número de compras aumentou 6%, ultrapassando os 3,7 mil milhões de euros em transações. O retalho concentrou cerca de 1,4 mil milhões de euros, enquanto a restauração ultrapassou mil milhões e o alojamento registou cerca de 735 milhões de euros em pagamentos eletrónicos. (euronews)
A leitura dos dados é importante para empresários: o turista continua a consumir, mas está a repartir o dinheiro por mais compras e, em média, com valores menores em cada operação.
O turismo está a crescer — mas num ritmo mais moderado
Os dados mais recentes do INE confirmam que o setor entrou numa fase de crescimento mais lento. No segundo trimestre, foram registados 9,4 milhões de hóspedes e 23,3 milhões de dormidas, aumentos de 2,3% e 1,2%. Os proveitos totais dos alojamentos chegaram a 2,1 mil milhões de euros, crescendo 5,2%. (Webinq)
Em junho, a desaceleração ficou ainda mais evidente. Os alojamentos turísticos registaram 3,1 milhões de hóspedes e 8,1 milhões de dormidas. As dormidas de não residentes caíram 0,6%, interrompendo uma sequência de oito meses de crescimento. Apesar disso, os proveitos totais dos alojamentos aumentaram 4,7%, para 786,6 milhões de euros. (Webinq)
Ou seja, Portugal não está a perder o turismo. Está a entrar numa nova etapa.
Depois de anos marcados por fortes recuperações e crescimentos expressivos, o mercado aproxima-se de uma fase de maior maturidade. A prioridade deixa de ser apenas aumentar o número de visitantes e passa também por melhorar a qualidade da experiência, prolongar as estadias, distribuir melhor os fluxos pelo território e aumentar o valor económico deixado por cada turista.
Negócios têm oportunidade de se adaptar
Para hotéis, restaurantes, lojas, empresas de animação turística, transportadoras e pequenos negócios locais, a tendência representa um desafio, mas também uma oportunidade.
A concentração do consumo continua elevada. Grande Lisboa e Algarve, por exemplo, absorveram mais de metade das despesas efetuadas por estrangeiros através de cartões no primeiro semestre. Ao mesmo tempo, outras regiões portuguesas têm espaço para conquistar uma parcela maior desse mercado. (euronews)
A diversificação dos destinos pode ser uma das respostas. O Norte registou uma das melhores evoluções nas dormidas em junho, com crescimento de 4,8%, enquanto o Alentejo avançou 2,1%. (TravelBI)
Para o comércio e a restauração, o desafio passa ainda por criar produtos e experiências que façam sentido para um visitante que procura qualidade, mas está mais atento ao preço.
Um setor estratégico para Portugal
A importância económica do turismo vai muito além dos hotéis. Segundo a Conta Satélite do Turismo divulgada pelo INE, a atividade turística gerou em 2025 um contributo direto e indireto estimado de 36,2 mil milhões de euros para o PIB, equivalente a 11,8% da economia portuguesa. (Webinq)
Os números de 2026 mostram que o setor continua sólido. O que mudou foi o ritmo.
Portugal continua no mapa internacional e continua a receber milhões de visitantes. Agora, a grande questão para os próximos meses será saber como transformar esse volume de turistas em maior valor para as empresas, para os trabalhadores e para as economias locais.
O sucesso do turismo português em 2026, portanto, já não será medido apenas pelas filas nos aeroportos ou pelo número de noites reservadas. Será cada vez mais medido pela capacidade de fazer com que quem visita Portugal fique mais tempo, conheça mais regiões e encontre mais razões para gastar — e voltar.




