Pfizer cresce 7% sem a Covid-19 e aumenta previsão de receitas para 64 mil milhões de dólares

A Pfizer aumentou em 7% as receitas dos medicamentos não relacionados com a Covid-19 no terceiro trimestre, compensando a quebra nas vendas da vacina e do tratamento contra o vírus, que recuaram 29% e 63%, respetivamente. A farmacêutica norte-americana reviu em alta as previsões para 2026, passando a estimar receitas entre 62 e 64 mil milhões de dólares (53,5 e 55,2 mil milhões de euros) e lucros ajustados por ação entre 2,95 e 3,05 dólares, acima dos anteriores 2,80 a 3 dólares.

A Pfizer está a encontrar vida para lá da Covid-19. A farmacêutica norte-americana conseguiu manter as receitas praticamente estáveis no terceiro trimestre, apesar da quebra do negócio associado à pandemia, e decidiu aumentar as previsões financeiras para este ano. O crescimento dos medicamentos tradicionais e dos produtos mais recentes está a ajudar a compensar a perda de fôlego da vacina Comirnaty e do antiviral Paxlovid.

Entre julho e setembro, a empresa registou receitas de 16,58 mil milhões de dólares (cerca de 14,4 mil milhões de euros), acima dos 15,87 mil milhões esperados pelos analistas. O crescimento dos produtos mais recentes está a ganhar peso na atividade do grupo, numa altura em que as vendas da vacina Comirnaty e do antiviral Paxlovid continuam a perder terreno.

“Os nossos produtos não relacionados com a Covid-19 registaram um crescimento operacional das receitas de 7% e estou particularmente satisfeita com o crescimento de 32% dos produtos lançados e adquiridos”, afirmou em comunicado Cecile Guegan, diretora financeira da Pfizer, sublinhando também o desempenho comercial global e a disciplina operacional da empresa.

Entre os principais motores está o Eliquis, anticoagulante desenvolvido em parceria com a Bristol Myers Squibb, cujas vendas aumentaram 25%, para 2,52 mil milhões de dólares. O resultado superou as estimativas dos analistas. Também o Padcev, medicamento para o tratamento do cancro da bexiga adquirido com a compra da Seagen, registou um crescimento expressivo de 55%, para cerca de 720 milhões de dólares.

Em sentido contrário, o Paxlovid registou uma quebra de 63%, para 449 milhões de dólares, enquanto as receitas da Comirnaty diminuíram 29%, para 808 milhões. A redução da procura de produtos associados à pandemia continua, assim, a ser um dos principais desafios da farmacêutica.

A estratégia passa agora por reforçar áreas como a oncologia, a imunologia e a obesidade. A Pfizer investiu 43 mil milhões de dólares na aquisição da Seagen, em 2023, e outros 10 mil milhões na compra da Metsera, empresa de biotecnologia dedicada ao desenvolvimento de tratamentos para a obesidade.

“O nosso programa para a obesidade continuou a avançar e os marcos recentes na oncologia, imunologia e vacinas demonstram ainda mais o potencial do nosso portefólio de investigação”, afirmou Albert Bourla, presidente executivo da Pfizer. O responsável considera que a empresa está bem posicionada para desenvolver novos medicamentos e criar valor a longo prazo.

Mas a renovação do portefólio não elimina todos os riscos. A expiração de patentes de medicamentos importantes e a entrada de genéricos deverão continuar a pressionar as receitas. A empresa adiou, entretanto, para o primeiro trimestre de 2027 os resultados de fase avançada do mevrometostat, um medicamento experimental contra o cancro, que os investidores aguardavam ainda este ano.

Apesar destes desafios, a administração decidiu aumentar em 1,5 mil milhões de dólares o ponto médio da previsão anual de receitas, que passa a situar-se entre 62 mil milhões e 64 mil milhões de dólares (cerca de 53,7 mil milhões a 55,4 mil milhões de euros). A estimativa de lucro ajustado por ação também foi revista em alta, para um intervalo entre 2,95 e 3,05 dólares, face aos anteriores 2,80 a três dólares.

No terceiro trimestre, o resultado líquido reportado caiu 8%, para 3,24 mil milhões de dólares, enquanto o resultado ajustado aumentou 1%, para 4,99 mil milhões. Nos primeiros nove meses do ano, as receitas cresceram 2%, para 46,07 mil milhões de dólares, mas o resultado líquido recuou 40%, para 5,68 mil milhões.

A reação dos investidores foi mais moderada. As ações da Pfizer chegaram a perder perto de 1% durante a sessão de terça-feira, apesar de os resultados terem superado as previsões. A Reuters refere que a evolução poderá refletir o facto de parte das boas notícias já estar incorporada na cotação, depois da valorização recente do setor da saúde.


Fonte: jornaleconomico.sapo.pt

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