O Papa Leão XIV apelou no sábado no Uruguai a que “a educação escolar e universitária contribua para o uso sábio das tecnologias e da inteligência artificial, colocando a pessoa antes do algoritmo”.
Num encontro com representantes do setor educativo, na Universidade Católica de Montevideu, o pontífice utilizou os cinco sentidos – visão, tato, paladar, olfato e audição – como fio condutor de uma reflexão sobre a educação, as novas tecnologias e a defesa da dignidade humana.
“É urgente, por isso, que a nossa educação escolar e universitária contribua para o uso sábio das tecnologias e da inteligência artificial, colocando a pessoa antes do algoritmo e harmonizando as inteligências técnica, emocional, social, espiritual e ecológica”, afirmou o Papa, durante uma jornada intensa que começou com uma missa em Paysandú.

O chefe da Igreja Católica alertou que “o processo de desumanização atual constitui um desafio para as nossas instituições escolares e universitárias”, e salientou ainda que “quem se sente abraçado pelo Pai é, inevitavelmente, um construtor da paz”.
No discurso, proferido no salão nobre da universidade, citou algumas passagens da sua encíclica “Magnifica Humanitas”, sobre as tecnologias e a inteligência artificial.
Citando uma intervenção que fez na Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), em 25 de setembro, observou que “enquanto se atribui inteligência aos sistemas informáticos, temos dificuldade em reconhecer a dignidade inalienável das pessoas, cujas vidas são avaliadas segundo o critério da eficiência e que, quando se considera que já não são produtivas, são rejeitadas e descartadas”.
Para o Papa, “é preciso proclamar novamente que a vida humana deve ser respeitada em todas as suas fases e condições. Ninguém pode ser rejeitado”, afirmou, numa nova intervenção contra o aborto e a eutanásia.
“A dignidade do ser humano de hoje sofreu inúmeros golpes, ao ponto de descartar, rejeitar e menosprezar se terem tornado um odor nauseabundo, aceite pelo nosso olfato”, criticou o pontífice, no segundo dia da sua visita ao Uruguai, integrada numa digressão pela América Latina.
Depois de recordar que as mãos humanas servem para trabalhar, acariciar e abraçar, lamentou que também estejam a produzir “a mais terrível das obras humanas: a guerra”.
A educação católica, apelou, “não pode estar concebida num circuito fechado”, devendo antes habituar-se a ouvir as famílias, a sociedade civil, as autoridades políticas e administrativas, bem como os representantes dos setores produtivos e das categorias profissionais.





