As últimas semanas têm sido marcadas por declarações em que líderes de empresas de Inteligência Artificial apelam a uma regulação do desenvolvimento da tecnologia, citando receios que os atuais modelos possam (eventualmente) sair fora do controlo.
Esse não é um receio partilhado pelo antigo vice-primeiro-ministro do Reino Unido e pessoa que foi responsável pelo departamento de Assuntos Globais da Meta, Nick Clegg.
Em entrevista na BBC Radio 4, Clegg afirmou que os avisos apocalípticos sobre o desenvolvimento de Inteligência Artificial são feitos como forma de beneficiar as próprias empresas que os fazem e sugeriu que tal abordagem lhes confere maior controlo.
“Na prática, isto meio que implica que só podemos estar seguros se tudo for controlado por um oligopólio de um pequeno número de empresas”, afirmou Clegg.
O antigo membro do governo britânico e executivo da Meta explicou que a narrativa que tem sido criada em torno da Inteligência Artificial não é acolhida por toda a indústria tecnológica. Mais ainda, Clegg também culpou os engenheiros de Silicon Valley que atualmente trabalham em Inteligência Artificial, afirmando que se deixam levar pelas próprias ideias.
Ao invés dos apelos que têm sido lançados sobre Inteligência Artificial, Clegg considera que será melhor que as empresas se focassem em ameaças que já conhecem – como ciberataques, armas biológicas e pessoas emocionalmente dependentes dos bots de Inteligência Artificial com que conversam.
No que diz respeito à forma como se deve ligar com Inteligência Artificial, Clegg afirmou que os modelos de linguagem abertos podem ser mais eficazes a longo-prazo, indicando também que devia haver uma maior transparência – seja por atos voluntários das empresas ou por via de regulação governamental – na forma como os modelos são desenvolvidos e se comportam.







