A Gruta do Escoural, no concelho de Montemor-o-Novo, conta com uma nova aplicação de realidade virtual, que permite ‘visitar’ o espaço, e cuja construção envolveu investigadores da Universidade de Évora (UÉvora), divulgou hoje a academia.
Em comunicado, a UÉvora explicou que a aplicação foi desenvolvida pela equipa do projeto Digital Twins for Smart, Sustainable Tourism and Cultural Heritage Preservation, que é financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).
“Esta iniciativa visa desenvolver soluções digitais inovadoras para a gestão, preservação e valorização do património cultural, tendo a Gruta do Escoural como um dos casos de aplicação”, acrescentou.

Os trabalhos relativos à Gruta do Escoural, na Herdade da Sala, em Santiago do Escoural, concelho de Montemor-o-Novo, no distrito de Évora, foram desenvolvidos por investigadores da UÉvora e incluíram o mapeamento com recurso à tecnologia LiDAR (Light Detection and Ranging, ou deteção e alcance por luz, em português).
A tecnologia “permitiu obter uma representação tridimensional detalhada da cavidade”, explicou a universidade, acrescentando que, além disso, foram instalados sensores para a monitorização ambiental e criados conteúdos para visita virtual.
Estas ferramentas permitiram aprofundar o conhecimento sobre o monumento nacional, que guarda milénios de vestígios de ocupação humana, acompanhar as suas condições ambientais e apoiar a sua gestão e salvaguarda.
A aplicação foi construída a partir do levantamento em três dimensões (3D) da gruta, disponibilizado pela câmara municipal.
A solução tecnológica “permite, pela primeira vez, realizar uma visita virtual integral ao interior da cavidade”, possibilitando ao público “explorar as galerias mais profundas do monumento, incluindo áreas de acesso condicionado por motivos de conservação e segurança”, realçou.
“A criação deste ‘gémeo digital’ constitui um contributo importante para a documentação e preservação de um património arqueológico de elevado valor, permitindo integrar informação espacial e ambiental numa representação digital do monumento”, realçou a academia.
Um ‘gémeo digital’ é “uma representação virtual de algo que existe fisicamente, podendo integrar dados do espaço real, o que permite estudá-lo, acompanhar a sua evolução e tomar decisões mais informadas sobre a sua preservação”, explicou à agência Lusa fonte da UÉvora.
A criação da nova aplicação de realidade virtual, segundo a universidade alentejana, “representa um marco na salvaguarda e divulgação do património local”.
O projeto contou com a colaboração da Universidade Nova de Lisboa e do instituto público Património Cultural, no âmbito do financiamento do PRR.
A Gruta do Escoural encontra-se temporariamente encerrada para a realização de trabalhos de manutenção e a sua reabertura está prevista para dezembro, lembrou a UÉvora.
Mas a nova solução tecnológica “permite manter acessível a exploração virtual do monumento”, sendo que a “aposta na digitalização democratiza o acesso ao conhecimento e reforça a vertente educativa do espaço”.





