“Compete-nos a nós, ao setor, pressionar as autoridades no sentido de que a regulação permita desenhar produtos mais ajustados a esta volatilidade”, disse Miguel Maya no almoço da ACEGE.
O presidente do BCP defendeu que os produtos de crédito à habitação devem ser mais flexíveis para se adaptarem à incerteza atual, permitindo, por exemplo, não pagamento durante alguns meses por mudança de emprego.
Miguel Maya foi hoje o orador do almoço-debate organizado pela Associação Cristã de Empresários e Gestores (ACEGE), em Lisboa.
Após a sua intervenção, questionado sobre crédito à habitação, o gestor defendeu que é preciso uma atualização dos produtos de crédito à habitação pois num mundo em que se assume que os “jovens de hoje vão ter carreiras diferentes e mudar de emprego com mais facilidade” estes empréstimos são rígidos.
“Se a pessoa mudou de emprego e há três meses em que não tem possibilidade de pagar qual é o problema desde que se desenhe um produto com essa possibilidade”, perguntou o presidente do BCP.
Segundo Miguel Maya, esta rigidez é também um problema da regulação, pois por agora “não permite que se desenhe um produto que possa ter interrupções de pagamento”.
“Compete-nos a nós, ao setor, pressionar as autoridades no sentido de que a regulação permita desenhar produtos mais ajustados a esta volatilidade”, considerou.
Miguel Maya recordou que as moratórias para os créditos criadas aquando da crise da covid-19 decorreram com normalidade e com a esmagadora maioria dos clientes a retomarem os pagamentos normalmente.
Na sua apresentação, o presidente executivo do BCP falou sobre as taxas de juro afirmando que as pessoas, as empresas, os bancos têm de estar preparados para taxas de juros entre 2% e 4%.
Sobre a crise da habitação, considerou que não se resolve pela via do crédito à habitação e que decorre de ter havido mau planeamento.






