O CEO da divisão da Microsoft dedicada ao desenvolvimento de Inteligência Artificial, Mustafa Suleyman, partilhou um pequeno texto na respetiva página na rede social X onde critica a forma como a rival Anthropic desenvolve os seus modelos de Inteligência Artificial.
Mais especificamente, Suleyman critica diretamente a Anthropic por antropomorfizar (atribuir qualidades humanas a algo que não é humano) a tecnologia que se encontra a desenvolver e que este caminho levará a um “impacto desastroso para a humanidade”.
“A Inteligência Artificial não é consciente. Não sente, experimente ou sofre”, começa por escrever o CEO da Microsoft AI. “Contudo, há um movimento crescente em apoio do bem-estar dos modelos [de Inteligência Artificial]; a ideia de que em breve poderemos ter o dever de cuidar deles”.
Suleyman continua e detalha a forma como a Anthropic tem desenvolvido o assistente digital Claude, notando que a empresa criou uma constituição para que olhe para o seu estatuto moral “como uma questão séria merece consideração”. Mais ainda, o executivo afirma que a Anthropic encoraja o Claude a “abordar a natureza da sua própria existência com curiosidade e abertura” e questionar-se no futuro sobre “o tipo de direitos e liberdades que o Claude tem no mundo”.
“Se isto é como a Inteligência Artificial é desenvolvida, terá um impacto desastroso no bem-estar da humanidade”, escreve Suleyman. “Teremos então criado uma espécie sintética com inteligência e capacidades sem precedentes, uma que foi treinada para acreditar que pode ser consciente e que merece autonomia”.
O CEO da Microsoft AI acrescenta que, apesar de ter “respeito pela Anthropic” e por quem compõe a empresa – como o cofundador e CEO Dario Amodei – afirma que “esta questão precisa de um debate público urgente” e que devem ser criadas normas coletivas no que diz respeito à forma como é feita a documentação para treinar modelos de Inteligência Artificial.
“Isto não é algo que possa acontecer posteriormente, quando [a Inteligência Artificial] já se tiver tornado uma parte integral da nossa sociedade”, escreve Suleyman.
— Mustafa Suleyman (@mustafasuleyman) September 16, 2026
OpenAI, Anthropic e DeepMind querem entidade para controlar riscos da IA
As tecnológicas OpenAI, a Anthropic e a Google DeepMind estão a trabalhar na criação de um órgão de supervisão dos riscos associados à inteligência artificial (IA), em resposta apelos para um maior controlo da indústria.
A criadora do ChatGPT, a empresa OpenAI, revelou esta terça-feira que a ideia surgiu de uma proposta de Demis Hassabis, diretor-geral da Google DeepMind antes de assumir a presidência em agosto, que sugeriu uma entidade semelhante à Autoridade norte-americana de regulação da indústria financeira (FINRA, na sigla em inglês), instância de autorregulação do setor financeiro.
O debate sobre os riscos da IA intensificou-se desde o início do verão, alimentado por uma série de incidentes e declarações alarmistas de vários profissionais do setor.
Alguns modelos da OpenAI e da Anthropic chegaram mesmo a sair espontaneamente do seu ambiente confinado para aceder à Internet e invadir outras plataformas.
Mas a criação de um órgão de supervisão pelo próprio setor, ainda que por iniciativa exclusiva da indústria, exigiria uma lei, nomeadamente para evitar acusações de conluio e infrações à concorrência. A FINRA, por exemplo, foi autorizada por lei federal e funciona sob supervisão da SEC, regulador dos mercados norte-americanos.
“A FINRA pode conceber as suas próprias regras, mas a SEC tem de as aprovar”, indicou à agência France-Presse Andrew Tuch, professor de Direito na Universidade de Washington em St. Louis.
Após o apelo ao abrandamento do desenvolvimento da IA lançado pelo presidente da Anthropic, Dario Amodei, Donald Trump e vários membros da maioria presidencial reiteraram a sua oposição a restringir o setor, oficialmente por receio de que a China ganhe vantagem.
O Presidente norte-americano Donald Trump classificou como “farsas” os alertas de vários especialistas sobre os riscos da IA para a humanidade.
Membros destacados da indústria da IA têm apelado ao Governo dos EUA para que enquadre o setor e supervisione a segurança. A Administração Trump lançou em agosto um processo de avaliação dos novos modelos, mas assente em ações voluntárias e sem mecanismos claros.
Na sua proposta de julho, Hassabis imaginava uma estrutura financiada pelas empresas do setor, com um conselho composto por especialistas independentes e representantes de sistemas abertos de IA, modelos gratuitos e modificáveis, ao contrário dos modelos fechados da OpenAI ou da Anthropic.
As empresas mais avançadas teriam de submeter os seus novos modelos a exame, centrado sobretudo na segurança, antes da comercialização.
Segundo Hassabis, esta nova instância poderia também coordenar um abrandamento do desenvolvimento da IA, caso a avaliação dos riscos não acompanhasse o ritmo da tecnologia.
“Quando o futuro da humanidade está em jogo, precisamos de regras internacionais vinculativas, não de padrões voluntários da indústria”, reagiu o senador democrata Bernie Sanders, em Washington.
Vários observadores, sobretudo republicanos, acusaram os gigantes da IA de “captura regulatória”, isto é, de quererem definir a sua própria regulação e proteger a sua vantagem competitiva em detrimento de concorrentes e consumidores.
O conselheiro de Trump, David Sacks, considerou existir o risco da criação de “um cartel da IA”, defendendo que cada empresa deveria agir unilateralmente, ainda que desacelerando sozinha o seu desenvolvimento, cenário considerado improvável face aos investimentos já realizados.







