Chega avança com Comissão de Inquérito a Luís Neves. “Podridão”

O Chega vai avançar, em setembro, com uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) a Luís Neves, ministro da Administração Interna.

A informação foi avançada por André Ventura, que fez, esta sexta-feira, 24 de setembro, uma declaração ao país, a partir da sede nacional do partido, sobre as polémicas que envolvem o governante e antigo diretor nacional da Polícia Judiciária (PJ) e a “atuação” do mesmo.

“Os elementos declarados nas últimas horas vieram reforçar aquilo que há dias parecia efetivamente um conjunto de histórias mal contadas mas incompreensíveis para a grande maioria dos portugueses”, começou por dizer, lembrando as, alegadas “obras não declaradas” e “escondidas em instituições públicas”, assim como “a ocultação de documentos declarativos obrigatórios para todos os titulares de cargos públicos” e, “o mais gravoso de tudo”, o “condicionamento e afetação ilegal de meios à guarda da PJ”.

Para Ventura, “a atuação de Luís Neves tornou-se prejudicial” e é um “sinal da sensação de impunidade e de abuso de poder por parte de um governante”.

Na opinião do líder do Chega, o que assistimos nos últimos dias não é “uma situação pontual”. “É um sinal e um sintoma da podridão a que o regime ficou sujeito quando permite, por exemplo, que um ministro da Administração Interna tenha usado enquanto diretor da PJ ou dado ordem para que elementos apreendidos à ordem de processos de tráfico de droga pudessem ser transportados com autorização para afetação a empresas próprias da sua esfera privada”, atirou.

Perante isso, o Chega vai avançar com uma Comissão de Inquérito em setembro, após as férias. “Não foi uma decisão tomada de ânimo leve”, assegurou Ventura, garantindo que “esta não é uma comissão contra a PJ ou qualquer orgão de investigação do Estado”, mas sim contra Luís Neves.

O presidente do Chega disse também tinha a opção de avançar com uma moção de censura ao Executivo de Luís Montenegro, mas, na sua opinião, os portugueses não querem eleições antecipadas. “Creio que não devemos provocar um caso de crise política”, concluiu.

Recorde-se que o ministro da Administração Interna, Luís Neves, foi diretor nacional da PJ entre 2018 e 2026 e tem estado envolto numa polémica relacionada com obras realizadas numa propriedade sua em Odemira pela empresa Construbarcelos, – anteriormente responsável por obras na PJ, quando era diretor nacional – e com um atrelado apreendido num processo de tráfico de droga, posteriormente encontrado nas instalações da mesma empresa.

O Chega tem 60 deputados eleitos, número suficiente para impor a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito – segundo o Regime Jurídico dos Inquéritos Parlamentares, é necessário um quinto dos parlamentares em efetividade de funções, ou seja, 46.

[Notícia em atualização]

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Fonte: www.noticiasaominuto.com

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