Gloria Ortiz, que falava em Madrid, na apresentação dos resultados do grupo Bankinter até junho, disse que o primeiro semestre foi de novo “marcado fundamentalmente pela geopolítica”, neste caso, “a trégua muito frágil” no Irão, com impactos nos preços do petróleo e na inflação, assim como pelas “políticas monetárias restritivas dos bancos centrais”.
No entanto, destacou, as economias em que o Bankinter opera (Portugal, Espanha e Irlanda) apresentam neste momento “muitíssima solidez”, que se refletem nos “resultados sólidos” do grupo financeiro espanhol.
O Bankinter teve lucros de 605 milhões de euros no primeiro semestre do ano, mais 12% do que no mesmo período de 2025, comunicou hoje o grupo à Comissão Nacional do Mercado de Valores (CNMV) de Espanha.
Em Portugal, onde está desde 2016, o resultado antes do pagamento de impostos foi 114 milhões de euros, um aumento de 9% comparando com o primeiro semestre de 2025.
A atividade em Portugal contribuiu com 13,4% para os resultados globais do grupo.
“A segunda geografia mais importante em termos de volume de negócio e receitas é Portugal, que continua a demonstrar uma evolução muito positiva”, destacou num comunicado o Bankinter, cujo principal mercado é Espanha.
Em Portugal, a margem bruta (que reflete o conjunto das receitas) cresceu 10%, comparando com o primeiro semestre de 2025.
A carteira de crédito no mercado português cresceu 8%, para 11.500 milhões de euros, os recursos de clientes de retalho aumentaram 12%, para 15.000 milhões de euros, e a carteira de custódia de valores passou para 6.000 milhões de euros, mais 29%, informou o banco.
Na conferência de imprensa de hoje em Madrid, a presidente executiva do Bankinter disse, sobre Portugal, que teve no primeiro semestre um “desempenho muito bom”, com “crescimentos de duplo digito em toda conta resultados” e um “rácio de eficiência excecional, melhor do que em Espanha, de 32%”.
Entre outros dados relativos ao Bankinter em Portugal, revelou que a margem de juros (diferença entre juros cobrados e pagos pelo banco) cresceu 10% no primeiro semestre relativamente ao mesmo período de 2025, para 156 milhões de euros, e que as comissões líquidas passaram para 44 milhões (mais 14%).
Os custos operacionais cresceram 7%, com a CEO a sublinhar que o Bankinter está “a investir em Portugal para poder continuar a crescer de maneira eficiente” e o “rácio de eficiência excecional”.
Ainda em Portugal, a nova produção de hipotecas (empréstimos para comprar casa) cresceu 6% no semestre, para 800 milhões de euros.
No entanto, no conjunto do grupo, a produção de novas hipotecas caiu globalmente 16% no primeiro semestre, por causa do mercado espanhol.
O conjunto da carteira hipotecária do grupo Bankinter cresceu 3% no mesmo período, para 39.000 milhões de euros.
Sobre o caso espanhol, onde as novas hipotecas caíram 34%, Gloria Ortiz reiterou que se trata de uma estratégia do banco relacionada “com rentabilidade de risco”.
Quando apresentou os resultados do primeiro trimestre deste ano, o Bankinter já tinha assumido, relativamente ao crédito à habitação em Espanha, “uma decisão estratégica de privilegiar um crescimento rentável e sustentável, com maior seletividade tanto nas operações como nos clientes, e com um impulso da atividade nas geografias onde o potencial e o rendimento da carteira são mais elevados”.
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