Neves “não tem condições de continuar”. CPI? “Pondero, mas era de evitar”

André Ventura considerou, esta quarta-feira, existirem motivos suficientes para a constituição de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) aos mandatos do ministro da Administração Interna, Luís Neves, à frente da Polícia Judiciária (PJ). À noite, em entrevista na SIC Notícias, explicou a sua posição: “Estou a ponderar, mas acho que era de evitar”. Ainda quanto a Luís Neves, o líder do Chega considerou que “não tem condições de continuar como ministro”.

“Nós estamos a falar de uma Comissão de Inquérito Parlamentar que vai ter, obrigatoriamente, de ir à atuação de uma polícia criminal – que tem o seu espaço institucional, o seu segredo, e tem de funcionar também de acordo com regras, não pode ser tudo exposto na praça pública”, começou por salientar, explicando: “Acho que há o risco” de a CPI “se não for bem feita, se não for assertiva, de fragilizar uma instituição que eu respeito muito e que acho que é fundamental para o país”.

“Porém”, prosseguiu o líder do Chega, se sentir que tudo está capturado e que nos poderes que deviam fiscalizar não há ninguém que os fiscalize a eles próprios – se as coisas continuarem a sair a esta gravidade […] o Presidente da República fica em silêncio, o primeiro-ministro fica em silêncio e todos os líderes partidários fiquem em silêncio com medo, então eu sentir-me-ei na obrigação“.

Para André Ventura, “Luís Neves, objetivamente, não tem condições de continuar como ministro”. “Acho que perdeu toda a autoridade, toda a credibilidade, ainda por cima numa altura em que vamos precisar de um ministro com autoridade”, refere.

“Tenho esperança que o primeiro-ministro tenha esse bom senso de perceber, a determinado momento, que tem de tomar uma decisão”, acrescentou. “E tenho esperança de que o primeiro-ministro tome esta decisão se o próprio primeiro-ministro não estiver condicionado por Luís Neves”.

De recordar que, esta tarde, André Ventura admitiu uma comissão de inquérito aos mandatos de Luís Neves na PJ. Esta posição foi transmitida aos jornalistas momentos antes de o líder do Chega entrar para uma reunião com a bancada parlamentar e a direção nacional do partido na Assembleia da República.

Interrogado sobre se, no seu entender, existem motivos para a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito aos mandatos de Luís Neves como diretor nacional da Polícia Judiciária, entre 2018 e 2026, o presidente do Chega respondeu que sim, adiantando que esse seria um dos temas da reunião.

“Acho que sim, que pode vir a ser o motivo para isso. Acho que temos que ter todos aqui o sentido de responsabilidade, de compreender que há coisas que podem ser evitadas se se tomarem as decisões certas a um determinado momento e evitar que as instituições colidam umas com as outras”, acrescentou.

O ministro da Administração Interna, Luís Neves, tem estado envolto numa polémica relacionada com obras realizadas numa propriedade sua em Odemira pela empresa Construbarcelos, – anteriormente responsável por obras na PJ, quando era diretor nacional – e com um atrelado apreendido num processo de tráfico de droga, posteriormente encontrado nas instalações da mesma empresa.

Luís Neves tem estado, nas últimas semanas, envolvido em polémicas. Esta quarta-feira, soube-se que o Ministério Público recusa, por agora, atribuir à Polícia Judiciária a investigação relacionada com o atrelado encontrado na Construbarcelos. Por seu lado, Ventura admite uma comissão de inquérito aos mandatos de Neves na PJ.

Notícias ao Minuto com Lusa | 19:32 – 22/07/2026

Fonte: www.noticiasaominuto.com

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