O Ministro da Economia e da Coesão Territorial de Portugal, Manuel Castro Almeida, disse hoje em Caracas que a reconstrução da Venezuela e o crescimento local abrem oportunidades concretas para as empresas portuguesas.
«A Venezuela atravessa hoje um período importante da sua história, marcado por profundas transformações políticas e económicas e pelos enormes desafios que resultam da reconstrução do país», explicou o ministro sublinhando que «existem sinais de recuperação da atividade económica» local.
Manuel Castro Almeida falava perante centenas de empresários no Fórum Empresarial Portugal-Venezuela, no Centro Português, no âmbito de uma missão empresarial lusa que contou com a presença presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez.
O ministro lembrou que a ONU aponta para um crescimento do PIB venezuelano de 6,5% em 2026, mas alertou que persistem desafios como a inflação, instabilidade cambial e necessidades de modernização das infraestruturas, aos quais se soma a reconstrução pós-sismos, avaliada pela ONU em 21 mil milhões de dólares.
«Estamos perante um esforço de enorme dimensão, que exige capacidade de execução, mobilização de investimento e muita cooperação internacional. Portugal deseja contribuir para esse esforço, colocando ao serviço desta relação a experiência e as competências das nossas empresas», disse.
E precisou que Portugal dispõe de empresas com provas dadas na construção, engenharia, energia, metalomecânica, agroalimentar, saúde, tecnologia e turismo, habituadas a operar noutras geografias e prontas a estabelecer parcerias, para modernizar a economia e criar emprego.
A propósito do ambiente de negócios, frisou que o investimento exige «regras claras, segurança jurídica, instituições eficazes e confiança no futuro», sublinhando que «o reforço do Estado de direito, o respeito pelos direitos fundamentais e a criação de condições para uma participação democrática livre e inclusiva são essenciais».
Segundo Manuel Castro Almeida, a Venezuela atravessa transformações que Portugal acompanha «com atenção e com a convicção de que o reforço do Estado de direito, o respeito pelos direitos fundamentais e a criação de condições para uma participação democrática livre e inclusiva são essenciais para construir um futuro de estabilidade e de prosperidade».
«A recuperação económica e o fortalecimento das instituições devem avançar em conjunto, porque as empresas precisam de confiança para investir, e os cidadãos precisam de confiar nas instituições que determinam o futuro do seu país. Portugal conhece bem a importância destes percursos. A nossa experiência democrática e a integração europeia demonstraram como a estabilidade institucional, a abertura económica e a participação na comunidade internacional podem contribuir para transformar um país», disse.
E sublinhou que «é também com essa experiência que queremos aprofundar a nossa cooperação com a Venezuela, respeitando a sua soberania e o direito dos venezuelanos de decidirem livremente o seu futuro».
Manuel Castro Almeida sublinhou que a América Latina ganha importância estratégica para a Europa no atual contexto de reorganização das cadeias de abastecimento e corrida aos recursos energéticos, e destacou o potencial da região em recursos naturais e mercados, cruzando-o com a capacidade de investimento, tecnologia e dimensão do mercado europeu.
«Portugal reúne condições particulares para desempenhar um papel relevante nesta aproximação. A nossa posição geográfica, a integração na União Europeia, as relações históricas com a América Latina e a proximidade linguística e cultural constituem vantagens que devemos saber aproveitar», disse.
Castro Almeida prestou uma homenagem sentida à comunidade portuguesa e luso-descendente residente no país sul-americano, classificando-a como «um motivo de orgulho para Portugal e um património de enorme importância».
«Somos um país atlântico, com ligações históricas às Américas e também a África, e com uma presença internacional que ultrapassa largamente a nossa dimensão territorial», frisou.






