Israel continua com operação militar na Cisjordânia em época de eleições

A operação militar, centrada na cidade de Hebron, local do ataque de sexta-feira, ocorre dias antes das eleições em Israel, que são encaradas como um referendo sobre a liderança do atual primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e as suas políticas de segurança durante os últimos três anos de guerra.

Israeli army machinery demolish Palestinian houses in Tulkarm refugee camp in the Israeli-occupied West Bank February 18, 2025. REUTERS/Fadi Yassen

As forças armadas israelitas continuaram com uma operação militar na Cisjordânia, que provocou a deslocação de centenas de palestinianos e impôs restrições significativas à circulação, em meio às eleições israelitas.

O exército lançou na sexta-feira, no sul da Cisjordânia, uma operação militar em retaliação pela morte de dois soldados, atacados por homens armados.

A operação militar, centrada na cidade de Hebron, local do ataque de sexta-feira, ocorre dias antes das eleições em Israel, que são encaradas como um referendo sobre a liderança do atual primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e as suas políticas de segurança durante os últimos três anos de guerra.

No âmbito desta operação, o exército israelita afirmou que a maioria dos trabalhadores palestinianos com autorizações não poderá entrar nos colonatos israelitas da Cisjordânia hoje e na segunda-feira e os postos de passagem para Israel permanecerão fechados até depois das eleições israelitas, na terça-feira.

Segundo as forças armadas de Israel, foram realizadas operações em mais de 400 locais diferentes durante o fim de semana e detidos 40 palestinianos que alegadamente estão ligados aos grupos terroristas Hamas ou Jihad Islâmica.

De acordo com dados das autoridades locais de Hebron, 2.193 pessoas foram registadas como expulsas e deslocadas por ordem do exército israelita e os acessos à cidade mantêm-se bloqueados.

Os deslocados representam 344 famílias, das quais 140 dizem não ter nenhum outro local alternativo para se alojar.

Segundo a imprensa palestiniana, as tropas israelitas estão a marcar os edifícios de onde foram expulsos os moradores, suspeitando-se que façam parte do plano de demolição de habitações em duas zonas da cidade.

Após o ataque, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, anunciou o “bloqueio total” da Cisjordânia e o início de uma operação militar, incluindo a retirada forçada de residentes palestinianos.

Na sexta-feira, dois soldados israelitas foram mortos num ataque na Cisjordânia ocupada, no qual morreram também dois palestinianos suspeitos de dispararem contra os militares.

O ataque ocorreu perto da cidade de Hebron e o exército israelita afirmou ter evitado um “ataque terrorista contra civis israelitas”.


Fonte: jornaleconomico.sapo.pt

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