Epic Games: Lei das Crianças da UE “será terrível para a próxima geração”

O CEO da Epic Games, Tim Sweeney, criticou publicamente o anúncio da Lei das Crianças da União Europeia (EU KIDS Act) pela Comissão Europeia e que prevê que as crianças com menos de 13 anos não tenham acesso a redes sociais. A mesma lei indica que, para os menores de 15 anos, deverá haver supervisão e funcionalidades limitadas.

Estas notícias levaram Sweeney a fazer uma publicação na rede social X onde critica a decisão, notando que plataformas/jogos como “Roblox” e “Fortnite” são as formas de as crianças expressarem a sua criatividade nos dias de hoje.

“Isto será terrível para a próxima geração da humanidade”, pode ler-se na publicação partilhada por Sweeney. “As apps e os jogos de hoje são os pincéis e as casas nas árvores de ontem. ‘Fortnite’ tem o Modo Criativo, ‘Roblox’ tem o Roblox Studio e ser um criador digital está ao alcance de todos, até que os políticos nos tirem isso”.

É bom sublinhar que a Lei das Crianças da União Europeia ainda é apenas uma proposta que, de momento, foi submetida ao Parlamento e Conselho Europeu de forma a entrar no processo necessário para a aprovação.

O que é a Lei das Crianças da União Europeia?

A Comissão Europeia propôs esta quinta-feira, dia 17, novas regras para reforçar a proteção de crianças e jovens na internet, proibindo o acesso às redes sociais por menores de 13 anos e exigindo contas supervisionadas até aos 15 anos.

“Estamos a adotar uma abordagem gradual e diferenciada. Cada idade tem as suas próprias vulnerabilidades e, por isso, cada grupo terá o seu nível de proteção adaptado, pelo que propomos: sem redes sociais antes dos 13 anos e sem contas pessoais antes dos 15 anos”, disse a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

Em declarações de imprensa à margem da sessão plenária do Parlamento Europeu, na cidade francesa de Estrasburgo, a responsável explicou que “isto significa que, entre os 13 anos e o momento em que a criança completa 15 anos, apenas serão permitidas ‘mini-contas’ criadas e supervisionadas pelos pais ou responsáveis, com funcionalidades limitadas e um limite de utilização de, no máximo, uma hora por dia”.

Um inquérito apresentado hoje pela Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL) revela que menos de dois terços dos participantes dizem ler por lazer como ocupação dos tempos livres, muito atrás do uso das redes sociais.

Lusa | 10:14 – 15/09/2026

“Depois, entre os 15 e os 18 anos, a segurança desde a conceção será uma obrigação para as plataformas”, acrescentou.

Acusando as plataformas de tratarem “de forma demasiado permissiva a saúde mental” das crianças, Ursula von der Leyen alertou que “estabelecer um limite de idade não significa deixar as empresas tecnológicas sem responsabilidade relativamente ao conteúdo”, obrigando-as a agir contra funcionalidades tóxicas e viciantes e outros riscos para os menores.

Em causa está uma nova Lei Europeia para a Proteção das Crianças Online, que estabelece então uma abordagem gradual para o acesso de menores aos serviços digitais e prevê que os adolescentes entre os 13 e os 15 anos possam utilizar redes sociais através de “mini-contas” criadas e supervisionadas pelos pais ou responsáveis.

Estas contas terão funcionalidades limitadas, nomeadamente nos contactos sociais e no tempo de utilização, que poderá ser restringido a uma hora por dia.

Para crianças dos três aos 13 anos, a proposta impede o acesso às redes sociais, mas permite serviços de partilha de vídeos destinados especificamente a este grupo, através de contas geridas pelos responsáveis.

As 8 mudanças que vão alterar como os jovens usam o Facebook e Instagram

As alterações já anunciadas pela Meta foram reveladas no anúncio do acordo que obrigará a gigante tecnológica a pagar 14,31 mil milhões de euros. A empresa também lançou um apelo para que o TikTok, o YouTube e outras redes sociais tomem medidas semelhantes.

Miguel Patinha Dias | 11:29 – 27/08/2026

A Comissão Europeia quer, também, obrigar as plataformas a demonstrar que os seus serviços são seguros desde a conceção, invertendo o ónus da prova.

As regras abrangerão redes sociais, plataformas de partilha de vídeos, jogos ‘online’, serviços com ferramentas de inteligência artificial e assistentes virtuais, com medidas de proteção adaptadas à idade.

Entre as medidas previstas estão a proibição de funcionalidades suscetíveis de promover comportamentos aditivos, como a deslocação infinita pelos conteúdos, determinados mecanismos de recompensa e notificações durante as horas de sono.

Os perfis de menores serão privados por defeito e a geolocalização, câmara e microfone estarão desativados, havendo ainda ferramentas para bloquear ou silenciar utilizadores e gerir o tempo de utilização.

A proposta prevê, ainda, a utilização de ferramentas de verificação da idade pelas plataformas e lojas de aplicações, incluindo uma aplicação europeia que permita confirmar a idade sem armazenar documentos de identificação ou dados biométricos.

A fiscalização ficará também reforçada através de procedimentos acelerados previstos em caso de incumprimento, com as plataformas a terem de demonstrar o respeito pelas novas regras.

A proposta legislativa, elaborada após consulta a um painel de mais de 60 especialistas, será agora analisada pelos eurodeputados e pelos Estados-membros.

Fonte: www.noticiasaominuto.com

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