Farmácias vs. supermercados: Há diferenças nos preços dos medicamentos?

Sim, há diferenças nos preços dos medicamentos sem receita vendidos nas farmácias e nos espaços de saúde dos supermercados, de acordo com uma análise da DECO PROteste, à qual o Notícias ao Minuto teve acesso. A conclusão é clara: os medicamentos “são mais baratos nos espaços de saúde associados aos supermercados”.

Paracetamol destaca-se: 0,99€ ou 2,70€?

“Ao analisar os preços de cada medicamento, independentemente do local de venda, a DECO PROteste deparou-se com grandes diferenças. A mais expressiva cabe ao Paracetamol Generis MG 500 mg (20 unidades), que tanto pode custar 99 cêntimos como 2,70 euros. Visto assim, dado que os valores são relativamente baixos, a disparidade não parece abismal. Contudo, se vista em termos percentuais (173%) já impressiona”, pode ler-se na análise da organização de defesa do consumidor. 

A DECO PROteste também “destaca o Voltaren 25 (20 cápsulas) e o Strepfen Mel e Limão (24 unidades), com diferenças a rondar os 70%“. Ora, o “Voltaren Emulgelex 20 mg/g de 180 gramas apresenta o menor hiato, ainda assim, chega aos 38%”.

A conclusão da organização de defesa do consumidor é, portanto, que o “estabelecimento escolhido tem um peso importante na fatura final a pagar pelo consumidor“.

Entre os espaços de saúde dos ‘supers’, qual é o mais barato? 

A análise da organização de defesa do consumidor revela que a Wells, “do grupo Sonae, é a que vende o cabaz [de medicamentos] mais barato, em média”.

“No seu encalço segue o espaço Bem-estar, do Pingo Doce (mais 1%), e, um pouco mais distantes, a Saúde e Bem-Estar, da Auchan, e o Espaço Saúde, do El Corte Inglés. Nestes, o cabaz fica, respetivamente, três e seis por cento mais caro do que na Wells”, pode ainda ler-se na análise a que o Notícias ao Minuto teve acesso.

A DECO PROteste lembra que houve uma altura em que só as farmácias podiam vender medicamentos, fossem ou não sujeitos a receita médica: “Essa era terminou em 2005, com a entrada em vigor da lei que autoriza a disponibilização de medicamentos não sujeitos a receita médica (MNSRM), também ditos ‘de venda livre’, fora das farmácias”.

Agora, “os locais de venda têm de ser autorizados pelo Infarmed – Autoridade Nacional do Medicamento e
Produtos de Saúde”, sendo que a “mesma legislação liberalizou os preços, o que significa que estes são definidos por quem comercializa“. 

Havia a expetativa de que, com a concorrência, os preços baixassem. Não aconteceu. Globalmente, os estudos realizados pela DECO PROteste, desde então, mostram o contrário. E o último, com preços de junho de 2026, não é exceção”, conclui a organização.

Utentes gastaram mais de 571 milhões com medicamentos até agosto

Os portugueses gastaram mais de 571 milhões de euros com a compra de medicamentos nas farmácias nos primeiros sete meses deste ano, o que representou um aumento de 11,7 milhões em relação ao mesmo período de 2025.

De acordo com o relatório de monitorização da despesa com medicamentos em ambulatório da Autoridade Nacional do Medicamento (Infarmed), consultado pela Lusa, os encargos dos utentes tiveram um aumento homólogo de 2,1% nesse período.

A despesa média de cada utente foi de 4,70 euros por medicamento, tendo sido dispensadas quase 162 milhões de embalagens entre janeiro e julho deste ano, mais três milhões do que nos primeiros sete meses do último ano.

O documento indica ainda que a despesa do SNS com a comparticipação de medicamentos em ambulatório ascendeu a mais de 1.179 milhões de euros, um aumento de quase 90 milhões face ao período de janeiro e julho de 2025.

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Fonte: www.noticiasaominuto.com

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