Vinha da Curia 2024: quando o vinho encontra o prato

Depois de já termos trazido à nossa Rolha de Ouro vinhos do Douro e do Alentejo, hoje viajamos até à Bairrada. E a escolha não podia ser mais apropriada para aquilo que queremos mostrar nesta coluna: Portugal é um país de vinho de norte a sul, com regiões, castas e estilos diferentes, e muitos desses vinhos estão ali mesmo, ao alcance de todos. Desta vez, a escolha foi o Vinha da Curia 2024, um tinto da Bairrada que encontrámos precisamente nesse universo de vinhos que não precisam de cerimónia para fazer parte de uma boa refeição.

O teste foi feito à mesa

E foi com uma carne estufada, bem gordurosa, que decidimos colocar este vinho à prova.

Foi aí que o Vinha da Curia mostrou a sua melhor qualidade.

A gordura e a intensidade do prato pediam um vinho com fruta, estrutura e, sobretudo, frescura suficiente para limpar o palato. E é justamente nessa relação entre acidez, fruta e tanino que o vinho encontra o seu lugar.

Não tenta esmagar a comida.

Equilibra-a.

E essa talvez seja uma das melhores definições para um vinho de mesa competente.

A própria informação disponível sobre o Vinha da Curia destaca um perfil elegante e estruturado, com fruta do bosque, enquanto outras fichas de prova salientam a acidez e a presença de taninos frutados.

Bairrada no copo

A Bairrada tem uma identidade muito própria.

É uma região onde a frescura e a estrutura podem andar lado a lado, e onde a tradição da Baga ajudou a construir uma personalidade vínica muito particular.

No caso deste vinho, o lote combina Cabernet Sauvignon, Baga e Touriga Nacional: três castas que contribuem de formas diferentes para o conjunto. Fruta e estrutura do Cabernet, acidez e nervo da Baga, e o lado aromático da Touriga Nacional.

É precisamente essa ideia de complementaridade que procuramos num vinho para o dia a dia.

Não queremos que uma só característica domine tudo.

Queremos equilíbrio.

E sim, pode beber-se no verão

Há um preconceito que convém desmontar: verão não significa necessariamente vinho branco ou rosé.

Um tinto com boa frescura pode perfeitamente acompanhar uma refeição de verão, desde que seja servido à temperatura certa.

No caso do Vinha da Curia, recomendamos 15 a 16 ºC.

Não o sirvam à temperatura ambiente de uma cozinha portuguesa em agosto. Esse detalhe faz toda a diferença.

Uma passagem breve pelo frigorífico resolve. A ideia é que chegue à mesa fresco, mas não gelado. À medida que aquece ligeiramente no copo, os aromas e a estrutura vão ganhando expressão. As recomendações para esta referência situam o serviço entre 14 e 18 ºC, dependendo da fonte. Para nós, 15 a 16 ºC é o ponto de equilíbrio ideal para uma refeição de verão.

O que procuramos na Rolha de Ouro

A nossa coluna não pretende apenas falar dos vinhos mais caros.

Muito pelo contrário.

Queremos descobrir boas garrafas que façam sentido na vida real.

Vinhos que se possam comprar sem grande esforço, levar para casa e colocar na mesa sem esperar por uma ocasião especial.

E o Vinha da Curia encaixa precisamente nessa filosofia.

Não é um vinho que pretenda estar entre os grandes vinhos de garagem ou de colecionador.

Nem precisa.

A pergunta mais interessante é outra:

Por aquilo que custa, entrega prazer?

Na nossa mesa, acompanhado de uma carne estufada, a resposta foi sim.

A perspetiva da Priscila

O Vinha da Curia 2024 não quer ser um vinho de discurso complicado.

Quer ser um vinho para beber.

E, quando encontramos um tinto português que consegue enfrentar uma carne estufada bem gordurosa, equilibrar a intensidade do prato e ainda manter frescura suficiente para convidar ao gole seguinte, temos exatamente aquilo que procurávamos: um vinho que satisfaz.

A perspetiva do Carlos

Eu vim dos tintos, e este é o tipo de tinto que me fez gostar de tinto.

No nariz, o que manda é a fruta preta bem madura, amora e ameixa à frente. Na boca a conversa muda um pouco: entram as especiarias e a madeira aparece com mais presença, sem roubar espaço à fruta. Os taninos estão lá, mas macios, sem aquela aspereza que se costuma associar à Bairrada.

Reconheço a Cabernet Sauvignon logo no nariz, e a Baga parece estar aqui mais para dar frescura do que para mostrar músculo. Não é um vinho que me vá surpreender, mas é um vinho a que volto sem pensar duas vezes.

O nosso veredito

★★★★☆ 3.8 / 5

Estilo: tinto gastronómico, frutado e estruturado.

Serviço: 15 a 16 ºC.

Harmonização: carnes estufadas, carnes de porco, grelhados, massas com molhos intensos e queijos de média cura.

Verão: sim, desde que bem fresco, mas nunca gelado.

Porque, no fim de contas, nem todo o grande vinho precisa de ser grande. Às vezes basta ser exatamente aquilo que a mesa estava a pedir.

Hoje foi a Bairrada.

Amanhã pode ser Trás-os-Montes, Dão, Tejo, Lisboa, Madeira ou Minho. Porque uma das maiores riquezas de Portugal está precisamente aqui: temos vinhos maravilhosos de norte a sul, para todos os estilos, para todas as mesas e para diferentes carteiras.

E muitos deles estão mais perto do que pensamos.

E agora queremos saber de vocês

Já provaram este Vinha da Curia? Com que prato o abririam? Contem-nos nos comentários ou no Instagram, @rolhadeouro.pt.

Até lá, bons vinhos…

ROLHA DE OURO

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