“O desenvolvimento tecnológico, a difusão dos ‘mass media’ e das redes sociais, a utilização cada vez maior da inteligência artificial abrem novas possibilidades, derrubando barreiras e distâncias”, declarou, durante a audiência geral semanal no Vaticano.
O chefe da igreja católica advertiu que “as relações tendem a tornar-se cada vez menos pessoais, cada vez mais virtuais”.
“Corre-se o risco de nos habituarmos a delegar em algoritmos decisões que cabem apenas à consciência humana”, alertou perante milhares de fiéis reunidos na praça de São Pedro, citado pela agência francesa AFP.
O Papa norte-americano acrescentou que a contribuição que os cristãos se propõem oferecer é “garantir que as relações sociais tenham uma real espessura e uma profundidade pessoal”.
A preocupação em redor da IA intensificou-se nas últimas semanas, devido a vários incidentes de segurança e à nova propensão dos modelos de inteligência artificial para se aperfeiçoarem sozinhos, sem intervenção humana.
O debate incide hoje também sobre a capacidade do setor para se autorregulamentar.
No primeiro grande documento do pontificado, a encíclica “Magnifica Humanitas” (Magnífica Humanidade), publicada em maio, Leão XIV lançou um forte apelo ao que descreveu como desarmamento da IA para “impedir que domine o ser humano”.
Nos últimos meses, o Vaticano multiplicou as intervenções e iniciativas a favor de uma governação internacional da IA fundada na dignidade humana, nomeadamente nos domínios do nuclear, da cultura e da criação artística.







