Famílias e empresas são vítimas colaterais da batalha naval de Ormuz

O disparo nos combustíveis vai continuar com a subida imparável do petróleo perante a verdadeira batalha naval entre EUA e Irão no estreito de Ormuz que continua sem fim à vista ao fim de mais de seis meses.

O petróleo subiu imparavelmente esta semana com o agravar da tensão no Médio Oriente, após alguns meses de relativa acalmia, com os dois lados a atacarem navios no estreito de Ormuz.

O preço do petróleo subiu 87% este mês face ao mês anterior, com um ganho anual acima de 56%.

Más notícias para famílias e empresas em todo o mundo que continuam a ser penalizados na bomba e pela subida das taxas de juros, com o dinheiro a ficar mais caro.

As empresas portuguesas também estão a ficar apreensivas com a nova subida do crude e dos combustíveis.

Há mais de dois meses que os preços do petróleo não superavam os 100 dólares. Além do aumento esperado dos combustíveis na próxima segunda-feira, há mais más notícias: o Banco Central Europeu (BCE) voltou a subir a taxa de juro de referência em 25 pontos base, a segunda subida este ano. Christine Lagarde evitou comentar decisões futuras, sublinhando que estarão dependentes de dados.

Para agravar a situação, os rebeldes Houthis do Iémen estão a conquistar cidades costeiras estratégicas que vão permitir maior controlo do estreito Bab el-Mandeb, uma das portas de entrada do Mar Vermelho com acesso ao Canal do Suez, ponto importante de ligação entre as Américas e Europa à Ásia.

É precisamente através do Mar Vermelho que o maior exportador mundial de petróleo tem escoado parte da sua produção, com a Arábia Saudita a conseguir evitar, em parte, o estreito de Ormuz, por onde passava antes 20% do petróleo mundial.

Ao fim de mais de seis meses, o petróleo arrisca atingir os 120 dólares por barril, avisa o Goldman Sachs.

“É definitivamente plausível”, disse Daan Struyven do banco norte-americano à “CNBC”, apesar de manter o cenário base que as exportações no Médio Oriente vão recuperar gradualmente com os produtores a adaptarem-se a disrupções, seja através de rotas marítimas alternativas e o aumento do uso do escoamento da produção por pipelines.

Todavia, o recente escalar da tensão leva o Goldman Sachs a ficar mais pessimista. “Os desenvolvimentos nos últimos dias” sugerem que aumenta o risco de as exportações estagnarem nos próximos meses com o “Brent a exceder os 120 dólares” com a “intensificação dos ataques a navios”.

Também os preços do gás subiram na Europa, com o contrato do índice TTF a subir para mais de 80 euros/MWh, o nível mais elevado desde dezembro de 2022, com a invasão russa da Ucrânia.

“A disponibilidade de GNL está a ser afetada, principalmente, pela guerra entre os EUA e o Irão, numa altura em que a Europa se prepara para o inverno com reservas invulgarmente baixas. Ao mesmo tempo, os elevados preços de entrega a curto prazo estão a tornar o armazenamento menos rentável e a dificultar os esforços para reconstituir as reservas a preços atrativos”, diz a XTB.


Fonte: jornaleconomico.sapo.pt

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