Aumento do desconto sobre preço dos combustíveis? “É insuficiente”

“O Governo está a ser muito pouco audaz. Para quem ouviu o primeiro-ministro no Algarve, há um mês, de peito cheio a dizer que o Estado vai entrar na REN e depois do Estado entrar na REN vai baixar o custo de eletricidade, é caso para dizer porque é que o Estado, que já hoje está na Galp com 8%, não pega nessa peitaça e obriga a que baixem os combustíveis e o gás de botija”, afirmou.

Paulo Raimundo falava aos jornalistas depois de uma visita à Festa do Avante!, minutos depois da abertura das portas no primeiro dia da rentrée comunista, que celebra 50 anos e decorre na Quinta da Atalaia, no Seixal (distrito de Setúbal), até domingo.

O Governo anunciou hoje que o desconto sobre o preço dos combustíveis através da redução de impostos vai aumentar esta semana cerca de três cêntimos por litro no caso tanto do gasóleo como da gasolina.

O líder do PCP considerou que esta medida “é completamente insuficiente” e “demagógico” e que “nunca há nenhuma opção para beliscar os lucros das grandes empresas”.

“Para isso, nunca há espaço, não é possível, o tempo não é o ideal, há sempre razões fundas para não atacar os milionários lucros da Galp, da EDP e por aí fora. Para isso, há sempre dificuldades. Para atacar as nossas vidas, há sempre pretextos, não é só pretextos, há pretextos e intenções”, criticou.

Sobre a TAP, Raimundo acusou o ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, de estar novamente “muito preocupado em acelerar a privatização” da “maior exportadora nacional”.

Paulo Raimundo visitou hoje as exposições do espaço central da Festa do Avante!, em parte focadas no aumento do custo de vida, e experimentou fazer rendas de bilros.

O secretário-geral do PCP destacou que esta é “uma grande festa da cultura, da arte, da música, do desporto, da paz, da solidariedade” que procura expressar “o que há de mais criativo no país” e “salvaguardar aquilo que se faz, e muito bem, há muitos anos” e que “faz parte do património e da cultura” portuguesa.

“Aqui estamos, com uma grande festa, uma festa para afirmar os valores de Abril, uma festa para ir o mais longe possível naquilo que é a partilha, a solidariedade, o ombro a ombro, o brilho nos olhos, o sorriso, que só se encontra aqui neste terreno, uma festa aberta a todos, onde todos podem e devem vir, são todos bem-vindos”, indicou.

Numa alusão à exposição que tinha acabado de visitar, o comunista disse que a Festa do Avante! também “não passa ao lado da vida real, não é da vida da propaganda, não é da ilusão, da vida real de quem vive e trabalha” em Portugal e o PCP quer “apelar à mobilização, à luta por essa vida melhor a que temos direito”.

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Fonte: www.noticiasaominuto.com

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