Por Carlos Mendes e Priscila Silva
Quando comprar um vinho comercial é motivo de crítica
Há quem compre vinho pelo nome. Há quem compre pela fama. E depois há nós.

Na semana passada, fomos conhecer um talho novo e, entre cortes de carne eoutras tentações, descobrimos uma pequena garrafeira. Começámos a olhar para os rótulos por pura curiosidade e acabámos por trazer uma garrafa para casa. O critério? Confessamos: a nota no Vivino teve uma palavra a dizer.
Não somos entendidos ao ponto de pegar numa garrafa, analisar o rótulo e afirmarcom toda a segurança: “Este é bom.” Também não escolhemos vinho apenas porque alguém famoso o recomendou ou porque a garrafa tem um rótulo bonito.
Às vezes, basta a curiosidade. Um rótulo que chama a atenção, uma boa nota, uma recomendação inesperada e a vontade de descobrir se aquela garrafa tem mesmo uma história para contar.
Confiamos no copo, na nota de quem já provou, e raramente nos enganamos.
A GARRAFA
• Nome: Fat Baron Shiraz 2025
• Região: Península de Setúbal, Portugal
• Produtor: Casa Ermelinda Freitas
• Enólogo: Jaime Quendera
• Álcool: 14,5% vol.
• Castas: Syrah, também conhecida como Shiraz nos mercados de exportação (é a mesma casta, só muda o nome)
• Estágio: 4 meses em barricas de carvalho francês e americano
PRIMEIRO CONTACTO
No nariz, terra molhada e um toque adocicado, quase convidativo. Por trás, frutos pretos maduros, ameixa e um travo especiado.
NO COPO
Encorpado, macio, aveludado. Taninos já bem maduros, acidez que segura o conjunto sem pesar. Fruta do bosque, compotas de framboesa, e a madeira asuavizar a pimenta, embora ela ainda se deixe sentir de vez em quando. Final longo, dos que ficam a fazer companhia.
A PERSPETIVA DO CARLOS
Confesso que não esperava tanto de um vinho pensado para exportação, com nome e rótulo em inglês. Foi uma boa surpresa, das que sabem bem de propósito. Gosto de vinhos assim: chegam sem grandes promessas e depois entregam mais do que prometem.
A PERSPETIVA DA PRISCILA
Achei o vinho maravilhoso, mesmo aquilo que procuro num copo: água na boca acada gole, vontade de continuar a beber. Desta vez bebemo-lo sozinhos, sem prato ao lado, só para prestar atenção a cada detalhe. No primeiro momento, as notas de chocolate souberam a café e caramelo. Uma fantástica relação qualidade preço, a 7,99€, e ficou aquela sensação de que ia bem com um bom grelhado, noutra ocasião.
VALE O PREÇO?
A 7,99€, sim. Este não é um vinho de terroir nem de produção artesanal, é assumidamente um vinho de perfil comercial, pensado pela vinícola para ser consistente e agradável em qualquer ano. E isso não é defeito nenhum. É um vinho pronto a beber, sem complicações, ótimo para o dia a dia, ou para uma noite tranquila a dois.
O NOSSO VEREDITO
★ 4,2/5
E AGORA QUEREMOS SABER DE VOCÊS
Fomos abordados por outra página de vinhos a perguntar se tínhamos lido o QR code do rótulo antes de comprar. Não tínhamos, e continuamos sem arrependimentos. Achamos que saber demais, às vezes, atrapalha mais do que ajuda. Não se pode saber o que gostamos sem experimentar o que não conhecemos, e não é preciso perceber de terroirs ou de química de vinho para gostar do que está no copo.
E vocês, precisam de saber tudo sobre um vinho antes de o abrir, ou deixam-se guiar primeiro pelo copo? Contem-nos em @rolhadeouro.pt.
Até semana que vem, bons vinhos …
ROLHA DE OURO





