A indústria da pesca fez campanha pelo ‘Não’ no referendo de domingo, tal como o grande partido de direita. Não se perguntava sobre a adesão à União Europeia, mas sim sobre a oportunidade de reinício de negociações nesse sentido, retomando um processo interrompido há 13 anos, em plena crise económica internacional, que afetou muito a ilha.
Proposto pelo governo da primeira-ministra Kristrún Frostadóttir, (na foto com António Costa, presidente do Conselho Europeu), que resulta de uma coligação de centro-esquerda, o referendo viu 53% dos votantes optarem pelo ‘Não’. Na capital, Reiqueiavique, o voto ‘Sim’ foi maioritário, por contraponto às outras quatro regiões. Um país muito dividido.
Não está fechado em definitivo o regresso às negociações com os 27, mas, com base nos resultados, Frostadóttir garantiu que até ao final deste mandato não insistirá. Futuramente, logo se verá.
Um futuro alargamento da UE virá, portanto, de Leste, provavelmente dos Balcãs Ocidentais, com Montenegro e Albânia na linha da frente. Serão países que necessitarão de apoios financeiros, mas a reduzida dimensão de ambos não levanta grandes problemas.
Já uma eventual adesão da Turquia, candidato de longa data, mas com poucas possibilidades de sucesso, ou da Ucrânia, candidata recente por razões políticas, mas com uma guerra em curso com a Rússia, que complica tudo, implicaria um esforço grande sobre o Orçamento Europeu e traria resistências várias.
Criada em 1957, com seis países fundadores (França, Alemanha, Itália, Países Baixos, Bélgica e Luxemburgo), a então Comunidade Económica Europeia (CEE) teve depois vários alargamentos, como a entrada de Portugal e de Espanha em 1986, ou a vaga de Leste de 2004, com dez novos membros, na sua maioria ex-países comunistas.
Em 2013, a Croácia aderiu e tornou-se o 28.º Estado-membro, na altura parecendo que o processo de alargamento era imparável, assim como a construção da unidade europeia, apesar da clássica resistência de suíços, noruegueses e islandeses (mesmo assim, muito pragmáticos na procura de vantagens).
O referendo, em 2016, para a saída do Reino Unido (concretizada em 2020) foi uma machadada no ideal de construção da unidade europeia e lançou o debate sobre os caminhos a seguir pelos 27, seja a constituição de grupos que avançam a velocidades diversas na integração (os países do Euro na realidade já o fazem), seja a forma de decisão, com a extensão do recurso às maiorias qualificadas.






