Uma fonte parlamentar da coligação no poder admitiu ao jornal Nikkei, sob condição de não ser identificada, que o orçamento final da defesa para o ano fiscal que começa em abril de 2027 poderá atingir os 10 biliões de ienes, de acordo com a agência de notícias France-Presse (AFP).
Os valores exatos atribuídos a cada rubrica deverão ser finalizados assim que o Governo concluir, até ao final do ano, a revisão dos principais documentos relativos à segurança nacional, disseram responsáveis do Ministério da Defesa.
Com a proposta, o Governo pretende realizar uma ampla modernização das forças armadas para enfrentar as crescentes tensões com vizinhos como a China, a Coreia do Norte e a Rússia.
A proposta orçamental foca-se no combate a “novas formas de guerra”, como a IA, drones (aparelhos telecomandados) e mísseis de longo alcance.
O Ministério da Defesa espera implementar um sistema de apoio à tomada de decisões baseado em IA e adquirir drones de baixo custo capazes de atuar em conjunto com mísseis de longo alcance para neutralizar alvos inimigos.
Planeia igualmente desenvolver mísseis hipersónicos lançados a partir de plataformas submarinas e criar uma nova unidade para reforçar as capacidades de defesa contra a guerra cognitiva.
Trata-se de uma ameaça crescente que visa moldar a opinião pública através de campanhas de desinformação e de outras operações de influência.
Com o pedido orçamental para o novo ano fiscal, o Japão prossegue os esforços para reforçar as capacidades militares de modo a responder a uma realidade geopolítica instável.
O país afasta-se assim progressivamente da postura pacifista tradicional, que limitava o uso da força à estrita legítima defesa.
A mudança gradual ocorre num momento em que a rápida expansão do exército chinês e o contínuo desenvolvimento de mísseis e de armas nucleares por parte da Coreia do Norte levaram o Japão a reforçar a defesa.
A guerra travada pela Rússia na Ucrânia também alimentou as preocupações dos responsáveis políticos japoneses, que temem um conflito semelhante no leste da Ásia.
Os receios de Tóquio têm por base a pressão crescente exercida pela China sobre Taiwan e o agudizar das disputas territoriais chinesas com o Japão, referiu a AFP.
O montante solicitado pelo Ministério da Defesa situa-se ligeiramente acima do recorde anterior de 8,8 biliões de ienes submetido para o atual exercício orçamental, que termina no final de março de 2027.
O Japão aumentou os gastos militares e a cooperação em matéria de segurança na Ásia, instalando lançadores de mísseis em ilhas remotas para tentar obter capacidades de contra-ataque, e flexibilizando as regras que regem as exportações de armas.
A primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, considerada defensora de uma linha dura em relação à China, colocou a defesa do país no topo da sua agenda conservadora.
As relações entre o Japão e a China deterioraram-se fortemente depois de ter sugerido, em novembro de 2025, que o Japão poderia intervir militarmente num eventual conflito relativo a Taiwan, ilha cuja soberania é reivindicada por Pequim.
A China manifestou preocupação perante o que considera ser o regresso de um “novo militarismo” no Japão.






