O presidente do Chega comentou, na noite desta terça-feira, a compra pelo Estado da participação na Redes Energéticas Nacionais (REN). “Acho que é uma decisão sobretudo precipitada e pouco fundamentada. Acho que o Governo tem de perceber em que é que quer gastar o dinheiro”, começou por dizer André Ventura, na antena da SIC Notícias.
Segundo considera, “o Estado tem de ter posição estratégica em áreas estratégicas e a área da Energia é evidentemente uma área estratégica”. No entanto, há “um problema”, é que, “ao contrário do que disse o primeiro-ministro – de que ‘temos uma das energias mais baratas da Europa e devemos vangloriar-nos disso’ -, independentemente do valor da energia que temos, mais de 34%, sobre o valor da fatura são impostos”.
Segundo Ventura, “Portugal podia ter a energia baratíssima que quisesse, se continuar a ter esses impostos sobre isso, as pessoas pagam mais”, salientou, enumerando: “O que é que a participação na REN vai mudar? Vai diminuir a pressão fiscal sobre a fatura da energia? Não. Vai reduzir o IVA sobre os ares condicionados? Não. Vai reduzir os impostos indiretos sobre a energia? Não”.
Para o líder do Chega, a “questão mais importante” é: “os portugueses percebem e aceitam que o Estado tem de intervir em áreas de soberania, mas gostam de perceber como é que o dinheiro está a ser utilizado. Quando digo que tenho milhões para colocar na REN, mas não tenho para aumentar pensões, salários, ou para diminuir o IVA, as pessoas perguntam-se: ‘o que é que é mais importante?'”, frisou.
“Face ao aumento dos preços que temos tido nos últimos anos, o que é que era mais importante neste momento? Intervir na REN ou diminuir impostos sobre os bens de consumo? Participar na REN ou aumentar pensões em Portugal?”, reiterou.
Ventura recordou ainda que “no último ano o Índice de Preços do Consumidor (IPC) aumentou 3%” e isso “significa que todos os indicadores têm de ser ajustados ao chamado poder de compra”.
“Se a Habitação aumenta, se a Saúde piora, se os salários estagnam, com um aumento constante de preços, estamos a ficar mais pobres. Um Estado pobre não investe na REN. Investe em salários, em Saúde, em Justiça, em Educação. É essa a diferença entre nós e o PSD. Não se trata de ser contra a estrutura do investimento, trata-se de prioridades”, rematou.
Recorde-se que na sexta-feira, foi comunicado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) que a Parpública, sociedade gestora de participações sociais do Estado português, comprou aos espanhóis da Pontegadea Inversiones uma participação de 13,7% do capital da REN.
Ainda hoje, o primeiro-ministro afirmou que todos os elementos relativos à reentrada do Estado no capital da empresa serão disponibilizados para “escrutínio do país”, admitindo ainda que a operação possa contribuir para diminuir o custo da eletricidade.





