A Iniciativa Liberal (IL) quer ouvir o ministro da Administração Interna, Luís Neves, no Parlamento sobre os alegados “conflitos de interesse, práticas de informalidade e incumprimento de regras e leis” de quando exercia funções de diretor-nacional da Polícia Judiciária (PJ).
Além de Luís Neves, o partido quer também ouvir a atual ministra da Justiça, Rita Júdice, a ministra da Justiça em funções durante o XXIII Governo, Catarina Sarmento e Castro, o atual diretor-nacional da PJ, Carlos Cabreiro, e o proprietário da Construbarcelos, João Carvalho.
“Em causa está, nomeadamente, o esclarecimentos sobre as condições em que um prestador de serviços da própria Polícia Judiciária acabou igualmente a executar obras em propriedades privadas do então diretor-nacional da instituição e as circunstâncias em que uma quantidade relevante de produtos químicos precursores de drogas previamente apreendidas foram entregues a esse mesmo prestador de serviços”, lê-se no pedido de audição, assinado pelos deputados liberais.
Para o partido, “estas questões não foram até à data cabalmente esclarecidas” e, na sua recente conferência de imprensa, Luís Neves, “adensou a inquietação pública relativamente ao rigor dos procedimentos adotados pela instituição”.
“Assim, face ao alarme social e à ausência de esclarecimentos cabais e definitivos sobre estas e outras matérias, considera-se absolutamente indispensável aprofundar o escrutínio em dois níveis: em primeiro lugar, tendo em vista o esclarecimento da intervenção do então diretor nacional da Polícia Judiciária nas questões referidas; em segundo lugar, esclarecendo sobre a existência na Polícia Judiciária de práticas mais alargadas, para lá dos casos concretos referidos, de indesejável informalidade”, sublinharam os deputados.
Recorde o caso
A polémica teve início no dia 10 de julho, quando o semanário Nascer do Sol noticiou que o ministro da Administração Interna contratou para remodelar um imóvel que detém em Odemira uma empresa anteriormente responsável por obras na PJ quando Luís Neves era diretor nacional.
Segundo a publicação, entre 2020 e 2025, a empresa Construbarcelos recebeu cerca de 1,9 milhões de euros em contratos públicos, valor confirmado dias depois pelo ministro da Administração Interna, em entrevista à TVI/CNN.
Dias depois, a PJ anunciou que abriu um inquérito sobre um atrelado apreendido num processo de tráfico de droga que foi encontrado atracado a um camião da empresa Construbarcelos, que fez obras numa propriedade do ministro da Administração Interna.
No mesmo dia, a Procuradoria-Geral da República confirmou “a existência de um inquérito relacionado com bens apreendidos à ordem do processo designado ‘Operação Pacoba'”.
Sobre o inquérito da PJ, a direção nacional da PJ explicou, em comunicado, que “teve conhecimento de que uma galera apreendida, no âmbito de um inquérito relacionado com o tráfico de estupefacientes, havia sido movimentada e parqueada em Barcelos”.






