A Universidade Estadual de Maringá (UEM), no Brasil, selecionou a portuguesa Vide de Grunwald para liderar a primeira fase do Maringá Blue Cluster, um projeto que pretende transformar conhecimento científico em empresas, investimento e inovação.
O Maringá Blue Cluster, uma iniciativa da Universidade Estadual de Maringá (UEM), escolheu a empresa portuguesa Vide de Grunwald para liderar um projeto de ambição internacional ligado à Economia Azul. Mais do que criar um cluster, a universidade pretende desenvolver um modelo de integração entre ciência, empresas, investimento e empreendedorismo, capaz de transformar conhecimento científico em novos negócios, transferência de tecnologia e desenvolvimento económico.
Pedro Bobião irá coordenar a primeira fase do projeto, liderando o diagnóstico que servirá de base à criação do Maringá Blue Cluster. Será também responsável por definir o modelo estratégico do cluster e pela identificação das áreas com maior potencial para gerar novas empresas, investimento e cooperação internacional.
“Mais do que criar um cluster, estamos a desenvolver um instrumento de execução capaz de acelerar a inovação, reduzir a distância entre investigação e mercado e transformar conhecimento em empresas, investimento e crescimento económico. Na nossa perspetiva, um cluster não existe para representar um setor. Existe para criar valor. O seu papel é identificar oportunidades, ligar universidades, empresas e investidores, acelerar a transferência de tecnologia e transformar conhecimento científico em vantagens competitivas. Embora nasça em Maringá, o projeto tem uma ambição internacional. Queremos demonstrar que os ecossistemas mais competitivos do futuro serão aqueles que conseguirem integrar competências, independentemente da sua localização geográfica”, diz Pedro Bobião ao Jornal Económico.
Segundo a universidade, a escolha da empresa portuguesa resulta da sua experiência internacional no desenvolvimento de ecossistemas de inovação e de projetos ligados à Economia Azul, bem como da visão apresentada para integrar universidades, empresas, investidores e administração pública num modelo orientado para a criação de valor.
“A Economia Azul continuará naturalmente ligada aos recursos aquáticos. O que está a mudar é onde e como se cria valor. Hoje, competências de excelência em áreas como genética, biotecnologia, inteligência artificial ou engenharia encontram-se distribuídas por diferentes regiões. O verdadeiro desafio já não é concentrá-las fisicamente, mas criar mecanismos que permitam integrá-las de forma eficiente”, acrescenta Pedro Bobião.
Situada no interior do Estado do Paraná, a cidade encontra-se a centenas de quilómetros do oceano. No entanto, foi precisamente essa condição que despertou o interesse da universidade. A convicção é que a próxima geração da Economia Azul dependerá menos da proximidade ao mar e cada vez mais da capacidade para transformar conhecimento científico em inovação, empresas e investimento.
Segundo dados da própria instituição, os seus programas de extensão universitária chegam anualmente a cerca de 1,2 milhões de pessoas, mantendo uma forte ligação ao tecido empresarial, às cooperativas, às comunidades e às instituições públicas da região.
“Cada vez mais, os fatores críticos de competitividade encontram-se em áreas como genética, biotecnologia, inteligência artificial, robótica, automação, engenharia, software ou tecnologias da água. Muitas destas competências desenvolvem-se em universidades e centros tecnológicos localizados longe da costa. Uma solução de inteligência artificial desenvolvida no interior pode aumentar a produtividade de uma exploração aquícola situada a milhares de quilómetros. Uma inovação em genética pode transformar toda uma cadeia de valor”, explica o consultor.
A primeira fase do Maringá Blue Cluster decorrerá ao longo dos próximos 90 dias e terá um objetivo claro: identificar oportunidades concretas para transformar conhecimento científico em desenvolvimento económico.
Em vez de começar pela criação de uma estrutura formal, o projeto arrancará com um diagnóstico aprofundado do ecossistema regional, envolvendo investigadores, empresas, cooperativas, startups, investidores, municípios e entidades públicas.
A missão passa por identificar competências diferenciadoras, projetos com potencial de mercado e oportunidades de colaboração capazes de dar origem a novas empresas, produtos, tecnologias e cadeias de valor ligadas à Economia Azul. “O Brasil oferece uma combinação extraordinária de escala, talento científico, biodiversidade e potencial de crescimento. Os investidores procuram projetos diferenciadores, equipas competentes, capacidade de execução e ambientes onde exista potencial de crescimento sustentado”, conclui Pedro Bobião.






