“Em termos logísticos, naturalmente movimentámos viaturas e pessoas de vários sítios, [incluindo] os formadores. Tivemos também a parte de alojamento e alimentação. Portanto, gastámos cerca de 430 mil dólares, mas este gasto valeu a pena porque, como se disse, trata-se do censo piloto, teste piloto”, disse a presidente do Instituto Nacional de Estatística (INE) moçambicano, à margem do lançamento da fase piloto do censo nacional de 2027.
O teste, lançado no distrito de Magude, na província de Maputo, abrange apenas 177 áreas, distribuídas pelos cinco postos administrativos daquele local, escolhidos por reunirem “características geográficas e operacionais representativas de diferentes realidades do país”, afirmou Elisa Magaua.
A responsável disse que o recenseamento piloto conta com 177 recenseadores e 38 controladores, num total de 260 pessoas que participaram na formação, que durou uma semana naquele distrito: “estamos cá com os que foram melhor qualificados nas provas. Tínhamos as provas diárias e os melhor qualificados estão cá”.
Elisa Magaua assegurou que a instituição está preparada para avançar com o processo, que arrancou hoje e deve terminar a 15 de agosto.
O objetivo é garantir a identificação e e a eliminação de todos os erros nesta fase, que serve de preparação para a execução do censo nacional de 2027, também agendado para 01 a 15 de agosto.
A presidente do INE voltou a pedir aos agentes recenseadores, que vão estar no terreno, dedicação, profissionalismo, disciplina e elevado sentido de responsabilidade, bem como respeito e cordialidade no contacto com as comunidades e com os agregados familiares.
Magaua considerou que a colaboração da população será igualmente essencial para o sucesso da operação, na qual serão avaliados a cartografia digital, o funcionamento do aplicativo de recolha, o questionário eletrónico, os mecanismos de validação dos dados, a sincronização da informação, a organização das equipas de campo e a qualidade da formação dos recenseadores.
O INE espera divulgar os resultados desta fase piloto até ao fim deste mês, tendo a presidente enaltecido a dedicação dos recenseadores durante a formação, considerando esta atitude uma garantia de que tudo vai decorrer como planeado.
“Temos a expectativa de que o trabalho vai correr muito bem. Não houve falhas, quer dizer. Apesar de ser o primeiro censo digital, todos eles mostraram confiança em trabalhar com o ‘tablet'”, acrescentou.
Em junho, o INE moçambicano anunciou que prevê registar, no recenseamento populacional de 2027, 36 milhões de habitantes, mais dez milhões face ao censo de 2017, gastando 96,2 milhões de euros com a operação.
Ao apresentar, na altura, a estrutura organizativa do plano do quinto recenseamento geral da população e habitação, Elisa Magaua avançou que se espera um crescimento face à operação de 2017, quando foram registados pouco mais de 26 milhões de habitantes em Moçambique.
Em 27 de março, Moçambique registou um défice de 68 milhões de dólares (cerca de 58,9 milhões de euros) do total de 110 milhões de dólares necessários para custear o programa de recenseamento geral da população agendado para 2027.
O Banco Mundial já garantiu o financiamento inicial de 12,7 milhões de dólares (cerca de 11 milhões de euros).
No mesmo mês, o INE reconheceu desafios no uso de tecnologias para o quinto recenseamento geral da população e habitação, em 2027, pela primeira vez através de plataformas digitais, com a desinformação a preocupar.
O INE estimou em 34 milhões a população moçambicana em 2025, contra pouco mais de 26 milhões do último censo de 2017.
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