Aumento de preços? “É o agricultor que está a fazer o esforço maior”

O ministro da Agricultura e Mar afirmou hoje, na Assembleia da República, que os custos aumentaram para todos, mas que é o agricultor que está a fazer o maior esforço e criticou a falta de moderação de algumas políticas.

“Os custos aumentaram para todos e não é por acaso que aumentámos o apoio ao agricultor […]. É o agricultor que está a fazer o esforço maior e eu não tenho problema em admitir isso”, afirmou o ministro da Agricultura, José Manuel Fernandes, em resposta aos deputados.

O governante, que falava, em Lisboa, numa audição parlamentar no âmbito da apreciação do Orçamento do Estado para 2027 (OE2027) disse que a PARCA – Plataforma de Acompanhamento das Relações na Cadeia Agroalimentar reuniu, recentemente, para debater temas como os custos de produção, o preço pago ao produtor e o valor do cabaz de alimentos.

“Sempre dissemos que o agricultor não pode ser o perdedor na cadeia de valor”, vincou.

O cabaz alimentar composto por 63 bens essenciais, monitorizado pela Deco Proteste, aumentou 2,40 euros, face à semana anterior, para 253,55 euros.

Os produtos que mais subiram foram a bolacha Maria (14%), os cereais integrais (14%) e o café torrado moído (12%).

Desde o início do ano, houve um acréscimo de 14,12 euros no cabaz.

Segundo a Deco, há quatro anos era possível comprar o mesmo cabaz essencial por menos 68,25 euros.

O titular da pasta da Agricultura reconheceu que o mercado pode ser melhor, mas pediu moderação, lembrando que, por exemplo, em França faltaram ovos porque “era impossível ter aviários face à legislação nacional e europeia”.

Já relativamente às questões levantadas sobre o bem-estar animal, José Manuel Fernandes disse não acompanhar a “visão Disney do mundo rural, em que o javali é o Pumba acompanhado do Timon”.

O Ministério da Agricultura anunciou, em outubro, um projeto piloto para o controlo de javalis, em 15 distritos, com 500.000 euros de dotação global para as zonas de caça que alcancem “resultados superiores à respetiva média histórica”.

Este projeto abrange mais de 1.300 zonas de caça, distribuídas por 65 concelhos de 15 distritos de Portugal continental.

O ministério tutelado por José Manuel Fernandes justificou esta medida com o crescimento das populações de javalis e com o respetivo impacto.

Conforme detalhou, o apoio é de 50 euros por macho e de 70 por fêmea para os animais abatidos acima da média.

Está também previsto um apoio adicional de 10 euros por animal enviado para um estabelecimento de manuseamento de caça, de modo a aproveitar a carne.

O limite é de 2.000 euros por zona de caça.

O ministro da Agricultura e Mar, José Manuel Fernandes, defendeu hoje no parlamento que o apoio dado aos agricultores representa um “subsídio direto” a cada português.

Lusa | 21:42 – 05/11/2026

Fonte: www.noticiasaominuto.com

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