Ventura defende que lei das rendas deve ser aprovada “a três”, com o PS

O líder do Chega defendeu hoje que as alterações à lei do arrendamento devem ser aprovadas «a três», entre o seu partido, PSD e PS, e acusou o primeiro-ministro de «total falta de humildade» perante a crise da habitação.

«Eu acho, e acho que o Presidente da República também acha, e acho que isso também ficou claro na declaração do primeiro-ministro hoje, que face o que aconteceu no país nas últimas semanas, face os acontecimentos, esta legislação que venha a ser aprovada deve ser a três», afirmou André Ventura, em entrevista ao Now depois da comunicação do primeiro-ministro ao país.

Luís Montenegro anunciou esta noite que vai reunir-se com os líderes do Chega e do PS em São Bento na próxima quinta-feira para ouvir as suas propostas sobre habitação.

O líder do Chega disse que se encontrou hoje presencialmente com o primeiro-ministro e transmitiu-lhe que o «Chega está disponível para participar na solução».

Em comunicado divulgado momentos antes da entrevista começar, o partido confirmou que o líder “estará presente na reunião a ter lugar na próxima quinta-feira, com o objetivo de resolver os problemas prementes da habitação em Portugal e encontrar soluções rápidas que ajudem os portugueses a sair da situação lastimável em que o país se encontra nesta matéria”.

André Ventura disse ter sido uma exigência sua, que transmitiu ao primeiro-ministro e ao chefe de Estado, que o PS seja envolvido por ter sido «um dos causadores dos problemas» na habitação e defendeu que os socialistas não podem «fugir às suas responsabilidades».

O dirigente voltou a associar a imigração à crise da habitação e responsabilizou o PS pela «entrada de mais de um milhão de pessoas em Portugal em poucos anos».

Questionado se as alterações à lei do arredamento avançam caso reflitam as exigências que o Chega fez para aprovar a lei na generalidade, Ventura disse que «isso depende do Governo» e se o PSD cumprir o acordo há «caminho para continuar».

André Ventura disse também que a nova lei das rendas «não existe ainda», recusando este argumento por parte dos manifestantes, indicando que o «que está em vigor são as leis do PS».

O presidente do Chega defendeu a dedução em IRS dos juros do crédito à habitação para prestações até 1200 euros, o alargamento da dedução das rendas para 25% e mostrou-se disponível para aprovar propostas de outros partidos, como uma «garantia pública no caso do acesso jovem à habitação» ou a isenção de mais-valias na venda de casas até 300 mil euros para habitação própria, e disse esperar reciprocidade.

Sobre a declaração do primeiro-ministro, Ventura acusou Luís Montenegro de «uma total falta de humildade» por «achar que já se tomou as medidas todas que era preciso ser tomadas, que já se fez o que se tinha que fazer» quando «não se fez».

«A primeira coisa que um primeiro-ministro deve fazer é ter a humildade de dizer ‘eu percebo pelo o que estão a passar, eu reconheço e reconheço as dificuldades que neste momento o meu povo está a passar’, e isso não aconteceu», criticou, pedindo ao primeiro-ministro que «mostre empatia».

O presidente do Chega criticou ainda o primeiro-ministro por não ter «anunciado uma medida».

O líder do Chega considerou igualmente que o chefe do Governo «não comunicou bem» e «esteve ausente durante uma grande parte do tempo em que o país estava a ferro e fogo», deixando «a polícia entregue à sua sorte e o Ministério da Administração Interna em desnorte».

Dirigentes do PCP e do Livre presentes na manifestação em Lisboa pelo direito à habitação exigiram ao Governo que ouça os manifestantes e que “deixe cair” a chamada lei das rendas, em discussão na especialidade.

Lusa | 19:03 – 31/10/2026

Fonte: www.noticiasaominuto.com

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