Investir na imigração, ganhar em prosperidade económica

Qualquer investigador conhece a importância de uma boa pergunta. A pergunta errada pode levar-nos por caminhos que desviam atenção e energia dos temas que realmente interessam.

O debate sobre imigração em Portugal é muitas vezes distorcido por perguntas desadequadas. Perguntar apenas quantos imigrantes deve Portugal receber deixa de fora as questões fundamentais que decidem o resultado da imigração. Quem queremos atrair? Como devem estas pessoas chegar e ser acolhidas no nosso país? Que condições devemos oferecer para que a imigração beneficie quem chega e quem cá vive?

Responder à primeira pergunta exige fixar um objectivo para a política de imigração: contribuir para o desenvolvimento do país. Atrair talento é particularmente importante num país com uma população envelhecida. A evidência científica mostra que a imigração, em particular de pessoas qualificadas, pode estimular a inovação, aumentar a produtividade e melhorar os salários. Pensemos nos imigrantes altamente qualificados que contribuem para modernizar a estrutura produtiva e atrair investimento estrangeiro para sectores de ponta. Mas também nos profissionais da construção que podem aumentar a oferta de habitação e assim responder a aumentos da procura.

A segunda questão raramente é tratada como política económica, mas devia ser. As pessoas cujas competências mais procuramos atrair têm frequentemente vários destinos à escolha. Portugal tem inúmeros atractivos, mas as dificuldades no acolhimento podem levar essas pessoas a optar por outro país. A par das oportunidades económicas, poder trabalhar, inscrever filhos na escola ou obter uma decisão célere sobre a residência pesa na escolha. Investir na integração de imigrantes permite atrair as pessoas de que precisamos e concretizar os seus contributos económicos. Processos demorados e imprevisíveis dificultam a vida dos imigrantes, a contratação e o investimento das empresas e podem afastar o talento que queremos atrair.

Finalmente, a terceira resposta determina as condições para concretizar os benefícios da imigração. A integração deve ser pensada como um investimento cujo retorno é uma economia mais forte e melhores condições de vida para todos. Uma melhor integração permite aproveitar o potencial de quem chega, como demonstram estudos realizados em Portugal pela Nova SBE. Isso significa coisas concretas: apoio à aprendizagem do português, informação sobre direitos e deveres de todos os residentes no país, normas culturais e funcionamento dos sistemas jurídico e fiscal, escola para as crianças e acesso aos cuidados de saúde.

O trabalho e a escola são os vectores fundamentais da integração das famílias imigrantes. A evidência científica mostra que os obstáculos iniciais ao emprego podem deixar marcas negativas duradouras. Deixar quem chega à margem do mercado de trabalho compromete a sua integração e os seus contributos para o país, mesmo no longo prazo. Deixar competências por utilizar é a forma mais cara de gerir a imigração.

As três questões essenciais têm a mesma resposta: investir. É na colaboração entre quem chega e quem já cá está que nascem projectos, empresas e oportunidades para o talento nacional. E um país que atrai talento internacional torna-se mais interessante também para os jovens portugueses, que ganham melhores razões para ficar, para regressar ou para colaborar à distância.

A pergunta sobre quantos imigrantes recebemos continuará a fazer parte do debate, e é legítima. Mas são as outras três que determinam se a imigração nos torna um país mais próspero.


Fonte: jornaleconomico.sapo.pt

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